Na penúltima edição impressa do jornal FOLHA DO SUL foi publicada uma reportagem exclusiva mostrando os números irreconciliáveis do eleitorado na cidade de Pimenteiras. Segundo a reportagem, a município às margens do rio Guaporé teria 2.315 habitantes e 2.309 eleitores. Ao subtrair o número de eleitores do de habitantes, a matéria constatou que só restaria um saldo de seis (isso mesmo, 6) pessoas que não estariam aptos a votar no menor município do Cone Sul.
A reportagem explicou também que a discrepância era ainda mais inacreditável – apenas um (é, 1) habitante não era eleitor em Pimenteiras. Mas, devido a uma revisão do eleitorado exigido e realizado pela justiça eleitoral, a discrepância foi alterada para o que foi divulgado: a diferença de seis eleitores a menos que o número da população.
Agora, o FOLHA DO SUL ONLINE volta a bater nesta tecla porque o IBGE divulgou, no dia 31 de agosto, outra estimativa para a população pimenteirense. Segundo a nova projeção (que não é, agora, uma contagem rígida como no Censo), a população de Pimenteiras é, atualmente, de 2.283 habitantes.
De novo, recorreremos ao calculo do número de eleitores divulgados pelo cartório eleitoral. A população estimada era de 2.315. Agora, segundo o IBGE, o número caiu para 2.283.
Com a nova estimativa, o número de eleitores e moradores em Pimenteiras passa a ser, de vez, um enigma indecifrável. Ou seja, há agora 26 eleitores a mais que o número de habitantes.
A razão da discrepância, segundo o chefe de cartório da 16ª Zona Eleitoral, Antônio Monteiro, é a falta de uma legislação específica por parte da justiça eleitoral. Em entrevista à reportagem já mencionada, Monteiro explicou que, na justiça eleitoral, não há uma exigência de que o eleitor apresente comprovante de residência para tirar o primeiro título de eleitor ou até mesmo para transferir – muito embora, ainda segundo Monteiro, os funcionários do cartório eleitoral costumam pedir a documentação.
O mistério envolvendo o eleitorado de Pimenteiras continua. A cidade, pequena mas belíssima, tem uma demografia diferenciada. É uma cidade turística, muitos vão periodicamente, outras moram em outros municípios, mas têm uma ligação muito forte com o povoado ribeirinho, enfim. Parece que o mistério não é tão fácil de ser desvendado e que não há uma única resposta a ele.