Remuneração só foi implantada muito depois que conselheiros começaram a atuar
Na semana passada, 14, o FOLHA DO SUL ON LINE conversou com o servidor público Antônio Mendes Martins, que fez parte da primeira equipe do Conselho Tutelar eleito em Vilhena, em 1993. “Japão”, como é conhecido, foi reeleito para um segundo mandato junto com os quatro companheiros.
Hoje ajudando a família num pequeno mercadinho no bairro Bodanese, o cearense de Aracioaba lembra direitinho o dia em que desembarcou com a família em Vilhena: “Foi no dia 26 de junho de 1976, uma sexta-feira, às duas horas da tarde”.
Morando na cidade, portanto, desde quando ela ainda era distrito de Porto Velho, Mendes lembra com saudades de sua época de atuação no CT. Ao contrário dos atuais conselheiros (hoje são 10, o dobro de antes), que recebem salários de R$ 2.500,00, Japão se lançou na disputa para cuidar das crianças locais quando a atividade ainda não era remunerada.
Trabalhar de graça, no início, nem era o pior: “a gente não tinha carro pra andar, então, o jeito era o meu Fusquinha e o Corcel da Dona Maria”, diz, referindo-se à colega Maria Vieira, pioneira como ele. O pagamento (um salário mínimo) e o carro para o trabalho só foram instituídos muito tempo depois.
Antônio lembra que boa parte dos casos que chegava às suas mãos tinha a ver com crianças deixando de ir à escola. Havia episódios de menores atuando em gangues ou até usando drogas. Mas isso era mínimo, em comparação com o que acontece hoje, quando adolescentes são envolvidos em tráfico e até assassinatos.
Autor:
Da redação
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 20 de Novembro de 2019, às 10:52