Numa entrevista enfezada, na manhã de hoje, ao programa “Vale Tudo”, transmitido a partir das 11:30h pela Rádio Planalto, o prefeito Zé Rover (PP) “subiu a serra” com o empresário Jaime Bagattoli, encarregado de fiscalizar as ações da Prefeitura através da ONG que preside, o Observatório Social.

Na entrevista, Rover criticou Jaime por denunciar irregularidades em sua administração, enquanto adota conduta pouca ética na vida privada. E citou dois supostos exemplos de desvios do empresário: disse que ele deve R1,7 milhão em impostos ao município e denunciou que sua filha, Kamilla Bagattoli, teria sido “funcionária fantasma” por dois anos na administração passada.

O site entrou em contato com Bagattoli, para que ele comentasse as declarações de Rover. O empresário anunciou que já constituiu advogado e vai processar Rover, exigindo reparação financeira e retratação. O áudio da entrevista contendo as denúncias já está sendo requerido judicialmente. “O prefeito foi muito infeliz ao tratar de um assunto do qual não tem o menor conhecimento”, reagiu.

Segundo o empresário, suas empresas não devem nada ao município. O que estaria acontecendo, conforme alega, é que desde a administração passada, a prefeitura tenta fazer com que ele pague pela área de 7 hectares que suas empresas ocupam desde 1.974. Jaime alega que tem título de posse do imóvel, emitido pelo Incra, e que há dez anos, embora a lei determine que a prefeitura emita a documentação do terreno, não consegue fazer a regularização.

Bagattoli diz que, no final do ano passado, por pressão do primo, o então prefeito Marlon Donadon emitiu um boleto de R$ 1,5 milhão referente ao valor do imóvel, para que ele pagasse pela desapropriação. “Como é que querem me vender uma coisa que é minha há quase 40 anos?”, esbravejou.

Quanto à denúncia envolvendo sua filha, Bagattoli lembrou que, ao contrário de muitos de seus colegas, sempre fez questão de educar sua família nas instituições locais. Recém-formada em Agronomia pela Iesa, Kamilla Bagattoli teria sido contratada como estagiária pela Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa), que por sua vez tinha um convênio com o município, a quem cabia remunerar os estudantes. “Não foi só minha filha quem fez estágio na Embrapa. Acho que o salário dela não chegava a um mínimo e eu só tomei conhecimento do caso agora”, revela.

De acordo com o empresário, os ataques de Rover são uma reação contra seu trabalho fiscalizador, através do Observatório. “O prefeito parece estar irritado pelo fato de querermos mais transparência na administração. Todos os dias recebemos denúncias anônimas de irregularidades e o nosso papel é apurar. Acontece que, até agora, nenhuma das solicitações que fizemos foi atendida pelo Rover. Estamos tendo que recorrer à Justiça para obter documentos”, denuncia.