Técnico da Idaron descarta risco por contaminação de rebanho boliviano
Na tarde de ontem, segunda-feira 28, dezenas de agropecuaristas se reuniram no auditório do Espaço Sicoob, em Vilhena, com representantes da Agência de Defesa Sanitária Agrossilvopastoril (Idaron), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), da Federação da Agricultura - FEAGRO, OCD e Fundo Emergencial de Febre Aftosa (FEFA), para discutir a retirada da vacinação contra a febre aftosa no Estado de Rondônia.
De acordo com o Fiscal da Idaron, Márcio Alex Petrá, Rondônia não tem um caso de aftosa há duas décadas, isso graças à cooperação entre a agência e os criadores de bovinos e bubalinos. Petrá assegurou que o vírus foi erradicado no Estado e que a pergunta que precisa ser feita hoje não é porque retirar a vacina. E, sim, porque continuar vacinando? Ele argumentou ainda que não há um vírus circulante no estado. “Não tá aqui dentro, não tá no Brasil”.
Sobre o rebanho boliviano, Petrá assegurou que “a Bolívia não representa perigo para Rondônia”. Segundo ele, porque a Idaron realiza vacinação nos departamentos que fazem divisa com o Brasil, já tendo alguns deles, inclusive, retirado a vacina.
Petrá foi incisivo ao afirmar que Rondônia está pronta para retirada da vacina. “É um retrocesso não retiramos a vacina agora. O Governo não iria apostar num Estado que não tivesse condições para a retirada da vacina; e Rondônia está pronta para retirar a vacina, seja em bloco com Acre, ou sozinha”, afirmou.
Rondônia está inserida no Bloco 1, junto com o Acre e alguns município do Mato Grosso e Amazonas que são divisas com os dois Estados. O problema é que, enquanto Rondônia tem a terceira melhor nota na auditoria realizada em 2017, o Acre não obteve uma nota favorável, e precisa melhorar a sua atuação.
A campanha de vacinação deste mês de novembro está prevista para ser a última no Estado. No entanto, caso não haja consenso entre o governo e os produtores, pode haver um adiamento na retirada da vacina.
Um dos defensores desse adiamento é o empresário e agropecuarista Jaime Bagattoli, que se manifestou ontem pelo nesse sentido, e sugeriu uma reunião com a ministra Tereza Cristina.
O também pecuarista Pedro Marini, favorável a retirada da vacina, argumentou que Rondônia, além da carne, é grande exportador de bezerros, e alertou que, caso o Mato Grosso retire a vacina antes de Rondônia, os bezerros rondonienses não poderão mais entrar no Estado Vizinho. “Isso pode trazer prejuízos”.
O representante do MAPA, João Carlos Aranha, disse que até 2022, todo o Brasil irá retirar a vacina. Sobre os questionamentos do porque iniciar por Rondônia, ele explicou que foi uma decisão técnica e não política. “Rondônia está pronta, tem excelentes índices nas auditorias que foram feitas. Acredito que, ao invés dos senhores se sentirem cobaias, deveriam sentir-se privilegiados por serem exemplos para os demais Estados”, disse.
No próximo dia 21 de novembro, em Rio Branco, no Acre, acontecerá a 5ª reunião do Bloco 1. Caso a decisão seja pela não retirada da vacinação, o Bloco 1 deverá ser integrado aos blocos 2 e 4 cuja a retida da vacina está prevista para 2021.
NÚMEROS
Rondônia tem o 6º maior rebanho bovino brasileiro com 14.337.157 animais. Um patrimônio estimado em R$ 15.582.430.750,00.
Embora seja o 4º maior exportador de carne brasileiro, responsável por 10,31% da carne enviada para outros países, atrás apenas de São Paulo, Mato Grosso e Goiás; cai uma posição na tabela de lucro, com 8,98% dos valores obtidos com a venda da carne bovina.
Fotos
Autor:
Rogério Perucci
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 29 de Outubro de 2019, às 16:01