Religioso convidou FOLHA para conhecer empreendimento e explicou funcionamento da entidade
Líder da Igreja Evangélica Pentecostal Assembleia dos Santos de Deus, o Pastor Adnilson Silva Morais, planeja a implantação de uma casa de apoio no Bairro Barão do Melgaço III, em Vilhena. Conforme o religioso, que convidou o FOLHA DO SUL ON LINE para mostrar o empreendimento e falar sobre a iniciativa social no início da tarde desta quinta-feira, 19, a Associação Casa de Apoio Bom Jesus objetiva acolher pessoas em situação de rua, viciados e egressos do sistema prisional que não tenham familiares na cidade, e oferecer a eles o apoio necessário para que tenham condições de recomeçar a vida.
Para a implantação da casa de apoio, foram adquiridos quatro terrenos. Em um deles já está em construção o prédio onde funcionará o templo; ao lado será construída a casa do pastor; e nos dois terrenos ao fundo, com acesso pela outra rua, serão erguidos os dois alojamentos, sendo um masculino e o outro feminino.
A equipe da casa de apoio contará, além do acompanhamento religioso, com atendimento com psicóloga, assistente social, enfermeira e até professores. O projeto é que até 40 pessoas possam ser acolhidas de forma rotativa. “Eles não vêm pra cá pra ficar o resto da vida, não. Aqui será apoio temporário até que a pessoa se recoloque na sociedade, arrume um emprego e consiga se encaminhar”, ponderou o pastor, antes de explicar: “mesmo depois da saída vamos continuar dando apoio no emprego, igreja, e fazendo o acompanhamento para ele não voltar para o erro, para a escravidão do vício”.
O projeto, embora nobre, tem causado preocupação e mal estar em alguns moradores do referido bairro. A FOLHA DO SUL ON LINE teve acesso a alguns áudios de moradores, nos quais fica claro que o temor é que presença das pessoas acolhidas pela associação leve a um aumento na criminalidade na vizinhança.
O líder religioso disse que entende a preocupação dos vizinhos, mas assegurou que a implantação da casa de apoio e o acolhimento das pessoas que precisam do auxílio, e elas não oferecerão riscos à comunidade porque a instituição terá um estatuto com regras rígidas a serem cumpridas, e somente permanecerão no local, aquelas pessoas que realmente queiram mudar de vida.
“O que houve foi um desencontro de informações, eu quero me dirigir aos moradores, e explicar que as pessoas acolhidas não ficarão livres pelo bairro. Eles terão um horário de entrada e um horário de saída. E a saída deles será sempre acompanhada por monitores. Eles não vão andar sozinhos”, assegurou e continuou: “eu quero deixar bem claro para todos os moradores que esses internos que vão estar aqui, eles vão sair para trabalhar conosco, vão congregar com a gente, e onde for preciso eles irem, o monitor vai junto. Ninguém vai sair sem supervisão, ninguém vai estar passeando dentro do bairro não”.
O pastor voltou a afirmar que entende a preocupação dos vizinhos, mas afirmou que espera que eles entendam o projeto e que sabe possam até apoiar. “É uma obra social que visa recuperar vidas e contribuir também para a diminuição do índice de crimes”, defendeu o pastor.
Sem entrar em detalhes, o religioso revelou que, além da motivação social e religiosa, o que o impulsionou a criar a casa de apoio foi o fato de ele mesmo ter passado por situação semelhante de desamparo. “O que me motivou verdadeiramente a levantar esse projeto é porque eu tive um passado. Fui escravo da bebida, da droga, e senti na pele o que é a escravidão, de ficar jogado na rua, no fundo do poço, na miséria. E muitas pessoas, ao invés de estender a mão, criticavam, falavam mal, julgavam. Depois tive uma oportunidade, encontrei Jesus. E hoje eu quero que essas pessoas tenham a mesma oportunidade que eu tive de virar um cidadão de bem, de ter família, de ter emprego. De ser bem visto e aonde chegar as pessoas receberem bem; e não de ser motivo de olhares tortos, e desconfiança”, disse.
O pastor disse ainda, ao final da entrevista, que está aberto ao diálogo com os vizinhos, e receptivo a tirar todas as dúvidas que ainda restem, e disponibilizou seu contato. “Aqueles que tenham qualquer dúvida, que precisarem de qualquer esclarecimento me ligue ou mande mensagem no (69) 99924-1894. E aqueles que se sentirem tocados em ajudar, podem se voluntariar ou fazer uma doação na conta poupança 00049613-8 da agência 1825 da Caixa econômica Federal, operação 013; ou ainda na conta corrente 118.031-2 da agência 3325 do Sicoob. Deus abençoe a todos”.
Fotos
Autor:
Rogério Perucci
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 19 de Agosto de 2021, às 19:18