“Minha filha brinca sem medo no quintal, tem contato com os animais que temos e é totalmente independente de internet”
Por querer passar mais tempo com a filha, Jorge Ferreira de Abreu, de 27 anos, morador de Cerejeiras, tomou uma decisão ousada cerca de três anos atrás e se saiu bem, ao deixar um emprego com carteira assinada na área urbana do município para se dedicar à lida na roça.
O jovem, que trabalhou em varias áreas, mas sempre de carteira assinada, alugou uma chácara a cerca de 1 km da cidade quando se casou, mas mesmo assim manteve seu emprego em um supermercado local.
Já com o nascimento da Filha, que hoje tem três anos, Jorge não aguentou a saudade devido aos horários puxados do comércio e decidiu largar tudo para ficar mais tempo com a família.
Sem emprego e com algumas hortaliças e mandiocas plantadas na chácara para consumo, o jovem decidiu investir mais nos cultivos e, atualmente, fornece seus produtos para vários moradores do município, inclusive para o próprio supermercado onde trabalhava, obtendo uma renda três vezes maior.
Casado com uma servidora pública que trabalha meio período na cidade, Jorge cuida da filha durante as manhãs, e na parte da tarde se dedica ao plantio na chácara, chegando até a pagar diárias para alguns amigos quando a demanda é grande.
Quando questionado se em algum momento se arrependeu da decisão que tomou ou acreditou que não ia dar certo, Jorge foi sincero em dizer que não chegou a se arrepender, mas quando se dedicava exclusivamente ao cultivo de hortaliças chegou a pensar que não conseguiria se manter daquilo devido a grande quantidade de pragas.
Porém, não desistiu e se reinventou, passando a investir menos nas verduras e sim em legumes, frutas e raízes.
Quando questionado sobre a diferença da criação e educação da filha na chácara, o agricultou afirmou não ter comparação com a realidade da cidade, onde as crianças ficam presas com grades e cercas elétricas o tempo todo.
“Minha filha brinca sem medo no quintal, tem contato com os animais que temos e é totalmente independente de internet, usando mais para fazer suas atividades da escola”, relatou Jorge.
Apesar de aconselhar que as pessoas se dediquem mais a este estilo de vida saudável, onde se pode plantar e colher seus próprios alimentos, Jorge afirma que antes de tomar esse tipo de decisão, a pessoa precisa gostar, pois o serviço é árduo e, assim como em todos os empregos, haverá dificuldades. Porém, a liberdade de poder fazer seus próprios horários e ter mais tempo para se dedicar família, segundo ele, não tem preço.
“As vezes a pessoa está passando necessidades na cidade e não tem coragem de se aventurar no campo apenas por vaidade ou orgulho”, concluiu Jorge.
Fotos
Autor:
Leir Freitas
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 10 de Abril de 2021, às 09:21