Em reunião no auditório da prefeitura na manhã desta terça-feira (28) com moradores (foto 1) da área que pertence ao Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), no setor 12, Gleba Corumbiara, o prefeito Zé Rover (foto 2) apresentou uma solução para o embate entre os moradores do local e a prefeitura, que requer de volta o terreno onde aquelas pessoas estão vivendo.

 

Segundo o presidente da associação dos moradores do bairro Novo Horizonte, como os moradores denominaram aquele setor, Manuel Luiz de Carvalho (foto 3), no total são 1.200 terrenos, mas que apenas 308 famílias estão cadastradas na associação e que desse número somente 27 moram na área.

 

Antes da reunião, o presidente da associação disse que ficaria satisfeito tanto com a permanência na área como com um possível remanejamento para outra localidade.

 

A segunda opção foi a proposta pelo prefeito, que anunciou a retirada dos moradores do terreno do SAAE para uma área nas proximidades da Casa do Índio (foto 4). “Essa é uma decisão que não foi tomada de última hora, foram de seis a oito meses de reuniões e estudos para chegar a ela,” disse Rover.

 

Pela proposta de Zé Rover, a prefeitura faria a infraestrutura básica (cascalhamento das ruas, água e energia elétrica) e os moradores pagariam parte do investimento. Pelos benefícios, a prefeitura cobrará 24 parcelas de R$ 50 de cada morador.

 

A prefeitura também doaria a madeira para a construção das casas, mas, segundo o prefeito, em contrapartida cada morador terá que comprar do próprio bolso o restante dos materiais, como tijolos, cimento, telha e o necessário para a edificação do banheiro.

 

Por isso, ainda de acordo com o prefeito, a primeira parcela somente será cobrada três ou quatro meses depois de terminada a construção das casas. “Esse tempo é para que os moradores paguem os materiais comprados para construir as casas”, disse Rover.

 

De acordo com o secretário municipal de Fazenda, Gustavo Valmorbida, os cerca de seis mil metros cúbicos de madeira a ser utilizados pelos moradores foram doados pelo IBAMA à prefeitura.

 

Pelo plano da prefeitura, inicialmente, serão construídas apenas 100 casas para aqueles que moram na área do SAAE. Uma triagem será feita pela Secretaria Municipal de Assistência Social (SEMAS) a partir do dia 1º de fevereiro para definir o nome dos primeiros a serem contemplados com os terrenos. “Quero acompanhar pessoalmente cada caso e espero que em três ou quatro meses essas 100 unidades iniciais estejam prontas”, frisou Rover.

 

O prefeito disse ainda que a câmara de vereadores aprovou uma verba de R$ 200 mil para a implantação da rede de energia elétrica naquela localidade.

 

Questionado pela reportagem do www.folhadosulonline.com.br sobre a localidade da área, se fica na zona urbana ou rural, pois nesta, a legalização seria de incumbência do INCRA, tanto Rover quanto Valmorbida garantiram que os terrenos são da Prefeitura. “Basta que a Câmara de Vereadores aprove uma lei que a inclua no perímetro urbano de Vilhena”, disse o prefeito.

 

Para Manuel Luiz, a proposta do prefeito é viável. “Espero que as promessas sejam cumpridas”, disse à FOLHA. Contudo, havia entre os moradores quem estivesse descontente. “Não concordo com essa transferência, pois a proposta da prefeitura não atende ao anseio da maioria dos associados. O prefeito quer nos mandar para o meio do mato. Como é que nossos filhos vão vir estudar? De lá para a cidade, dá mais de quatro quilômetros”, disse um deles.

 

Zé Rover não falou como vai fazer para que as crianças da associação venham estudar na cidade, embora o transporte escolar seja um direito constitucional e obrigação do poder público garanti-lo aos alunos que morem distante das escolas.