“Ele era de fato especial. O ambiente escolar era o que mais o agradava”
 
Titular da Secretaria Municipal de Educação até recentemente, o escritor Júlio Olivar é um dos maiores conhecedores da história de Vilhena e colabora com vários sites, incluindo este FOLHA DO SUL ON LINE.
 
Ativo nas redes sociais, o historiador resolveu contar a história do menino que deu nome a uma das mais conhecidas escolas publicas de Vilhena, a “Felipe Rocha de Lima”.
 
Com sensibilidade, Olivar revela os bastidores da luta dramática do garoto, filho de um servidor pioneiro público pioneiro. O pequeno Felipe precisou fazer até transplante, mas não resistiu aos problemas de saúde que enfrentava desde o nascimento. LEIA ABAIXO, na íntegra:
 
UM POUCO DE HISTÓRIA — O menino que virou nome de escola em Vilhena
 
Vilhena tem 29 escolas municipais e, dentre elas, está a denominada “Felipe Rocha de Lima”. Mas quem foi, afinal, o patrono dessa escola?
 
Felipe foi um menino humilde que nasceu e foi sepultado em Vilhena. E nunca será esquecido porque seu nome está perpetuado na escola criada em 2018, cinco anos após a morte do garoto.
 
Ele nasceu em 21 de julho de 2003 no Hospital Regional. Era o caçula entre três irmãos — Lucas nasceu em 1996 e Sávio em 98. Os pais são Araci e Pedro — que é servidor público municipal há 26 anos; atualmente, trabalha no Cemitério Cristo Rei.
 
O menino Felipe já nasceu debilitado. Com apenas 15 dias de vida foi internado em Porto Velho e, de lá, transferido para Goiânia (GO), onde foi submetido a uma cirurgia para desbloqueio da válvula da uretra e, no ano seguinte, à retirada de um rim. Dois anos depois passou pelo transplante, em Porto Alegre (RS).
 
O pequeno vilhenense permaneceu cinco anos mais ou menos tranquilo. Frequentou as escolas Hermógenes e Antônio Donadon; foi até o terceiro ano. Mesmo com as limitações, Felipe amava estudar e não gostava quando as férias chegavam. “Ele era de fato especial. O ambiente escolar era o que mais o agradava”, conta o pai, um mato-grossense que mora em Vilhena desde 1977.
 
Além do prazer de frequentar a escola, Felipe gostava de futebol — era torcedor do Flamengo — e tinha memória fotográfica. Outro aspecto em sua personalidade era o seu jeito amável e carismático. “Apesar de todos os problemas de saúde, Felipe foi feliz. Ele gostava dos colegas de escola e não foi discriminado por eles”, relembra “seu” Pedro, emocionado.
 
A situação voltou a piorar. O estudante foi internado inúmeras vezes, com insuficiência renal crônica. Todo o tratamento foi feito pelo SUS; tomava dez medicamentos por dia. Em 24 de setembro de 2013, Felipe morreu internado em Porto Alegre, aos dez anos, dois meses e três dias de idade. Uma vida curta e marcada pela resiliência.
 
O corpo foi trazido para Vilhena graças às contribuições de amigos e da prefeitura. Foi sepultado onde ainda trabalha seu pai, um homem simples e virtuoso. Ele lutou para ver o nome de seu filho ser reverenciado, como forma de atenuar o sofrimento da família decorrente da perda irreparável. A Câmara de Vereadores aprovou e, assim, foi batizada a Escola Municipal “Felipe Rocha de Lima”, o menino que amava estudar e que enfrentou muitas dores sempre com um sorriso “que fazia a gente esquecer dos problemas”, encerra Pedro.
 
Ah, em tempo: a “Escola  Felipe” é uma das mais bem cuidadas de Vilhena. Tem uma ótima gestão, corpo docente e servidores exemplares, inclusive com projetos pedagógicos especiais que prezam a memória e a cultura do município. É muito limpa, ajardinada, colorida, o clima é de total harmonia e conta com participação da comunidade em todas as ações. E as crianças — que têm a mesma faixa etária de quando Felipe foi para junto de Deus —  sabem direitinho a razão da homenagem ao vilhenense incomum que se fez notável e eternizado porque amava a educação e era um bom exemplo de ser humano. Homenagem merecida