O ano de 2013 termina relativamente bem para os produtores de leite do Cone Sul. Depois de um período difícil, que começou em agosto do ano anterior, 2012, em que o produto chegou a ser comprado pelos laticínios a R$ 0,55 o litro, o último pagamento feito pelas indústrias aos produtores chegaram ao valor de R$ 0,80.
O ápice da crise no preço do leite foi em agosto de 2012, quando o valor caiu de R$ 0,75 para R$ 0,55 o litro. Segundo os industriais ouvidos pelo jornal FOLHA DO SUL na época, a causa da crise era o avanço do leite uruguaio e argentino no mercado global, com maiores volumes e preços mais competitivos.
Agora, dois anos depois, os produtores do Cone Sul ainda não estão recebendo o valor que seria o “ideal”, segundo afirmam, que seria na casa do R$ 1,00 o litro. O preço está, neste final de ano, em R$ 0,80.
Junto com esta alta, entretanto, é necessário adicionar a inflação geral do período que, no caso dos alimentos, chegou a 8%, segundo representantes do varejo nacional.
Para enfrentar o preço, que melhorou mas não está no ponto ideal, alguns produtores tentam uma via alternativa: eles simplesmente aumentam a produção.
O produtor Nelson Novaes, a 13 quilômetros de Cerejeiras, cujo curral é ilustrado nesta foto, tira entre 160 e 200 litros de leite diários. O diferencial, com 10 vacas lactantes, é que o produtor cerejeirense tira leite duas vezes ao dia: de manhã e a tarde. O produto é guardado em resfriador próprio até o dia seguinte, quando um caminhão-tanque do laticínio passa para pegar o líquido dos produtores.
Para as vacas produzirem duas vezes ao dia, o produtor leiteiro trata das reses a ração, além do pasto natural.
Assim, mesmo tendo o mesmo número de vacas mantidas no mesmo pedaço de terra, o produtor cerejeirense consegue manter a mesma renda mensal que mantinha antes da crise do leite.