Adaptação é fácil, apesar do choque cultural
A comunidade islâmica em Vilhena soma cerca de 10 famílias e não mais que 50 pessoas. No entanto, se organizam para rezar em uma mesquita improvisada na cidade e se mantêm fieis às tradições religiosas expostas no Alcorão (livro sagrado da religião), mesmo estando a mais de 10 mil quilômetros de distância de sua terra natal. Na cidade eles são bem aceitos e dizem não sofrer preconceito por defender uma fé tão diferente da cristã, dominante no município.
Para o vendedor Mohammed Direya (FOTO), de 25 anos, o choque cultural foi forte, logo que chegou em Vilhena vindo da Palestina, há quase um ano. “Aqui tem muitas coisas diferentes. As mulheres andam na rua com roupas apertadas e mostram o corpo, as pessoas bebem na rua e se comportam de forma diferente. Ainda acho estranho, mas estou me acostumando. Hoje, inclusive, é o último dia do Ramadã, período em que fazemos regimes e nos concentramos em nossa fé. Esse é um costume bem diferente dos ocidentais”, conta, com seu sotaque ainda bem evidente.
A religião domina a vida dos islâmicos. Mohammed, por exemplo, tem esse nome em homenagem ao profeta mais importante dos muçulmanos, Maomé. Todos os dias eles devem orar cinco vezes, virados de frente para Meca, a cidade sagrada dos islâmicos. “Tenho muita saudade da Palestina. Apesar dos conflitos na região, acho lá melhor de se viver. Eu morava em Belém e minha família não queria que eu viesse para cá. Mas meu irmão mora aqui há sete anos e vim por causa dele”, revela Mohammed, enquanto deixava sua mãe, que ainda mora no Oriente Médio, esperando um pouco no Skype para conceder a entrevista.
Assim como Direya, o fotógrafo paquistanês Zohaib Saleem é islâmico e afirma não ter sofrido nenhum tipo de preconceito contra suas crenças. “Eu me sinto muito confortável em manter meus costumes muçulmanos aqui. Nós já temos um local para adorar, o que facilita e estimula bastante. Os brasileiros, e especialmente os vilhenenses, têm pouco conhecimento sobre religiões. Isso é bom e ruim ao mesmo tempo. É bom porque eles não têm nenhuma opinião formada ou pontos de vista negativos a respeito do Islã. E é ruim porque o conhecimento é muito limitado”, analisa.
Para Zohaib, que ainda se esforça em aprender a difícil língua portuguesa e cedeu a entrevista em inglês à reportagem, a única dificuldade em ser islâmico e viver longe do Oriente Médio é a luta para encontrar alimentos “Halal”. Estes produtos são os únicos que os muçulmanos são autorizados a consumir e seguem normas de produção específicas. “Os muçulmanos não comem porco e a maioria das coisas aqui leva óleo de porco ou os restaurantes acabam misturando a carne suína com outras. Os restaurantes deveriam pensar nos judeus, adventistas e islâmicos ao montarem seus buffets e cardápios”.