O Movimento dos Sem-Terra (MST) realizou ontem manifestações em 15 Estados para protestar contra a diminuição dos recursos destinados ao Programa Nacional de Educação em Áreas da Reforma Agrária (Pronera). De acordo com informações divulgadas pela liderança do movimento - e confirmadas pelo governo -, a redução foi de 62%. Dos R$ 69 milhões previstos para o orçamento do Pronera neste ano, só devem ser liberados R$ 26 milhões.

O dinheiro é gasto com assentados jovens e adultos, em programas de alfabetização, formação técnica e também em cursos de nível superior. Atualmente, do total de verbas destinadas ao Pronera, quase 60% vão para cursos universitários voltados especialmente para o público dos assentamentos.

"Cortar recursos agora significa negar o acesso à educação para esses jovens e trabalhadores rurais", disse ontem, em Porto Alegre, Neudicléia Oliveira, porta-voz dos 60 militantes do MST que realizaram um ato de protesto diante da sede da superintendência regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), o órgão federal que administra as verbas do Pronera.

"Precisamos desses recursos para abrir novos cursos de formação", reclamou, no Paraná, Paulo Miran, representante dos 500 integrantes do movimento que interditaram durante todo o dia a rua em que fica localizada a sede regional do Incra, no centro de Curitiba.

Nas manifestações de ontem, o MST mobilizou principalmente estudantes. Além do Paraná e do Rio Grande do Sul ocorreram protestos em São Paulo, Goiás, Ceará, Piauí, Santa Catarina, Bahia, Minas Gerais, Paraíba, Pará, Pernambuco, Rondônia e Mato Grosso. No conjunto, 11 sedes regionais do Incra foram invadidas.