Segundo funcionários do posto de combustível que fica em frente ao local, três moradores de rua estão, há pelo menos dois meses, dormindo na bilheteria do Ginásio Poliesportivo Jorge Teixeira de Oliveira, em Vilhena.
O mais velho, e mais falante deles, Carmelo Polovic, de 61 anos, é chamado pelos colegas pelo apelido de “Bolívia”, pelos traços de sua fisionomia que lembram as pessoas nascidas naquele país.
Entrevistado pelo www.folhadosulonline.com.br, o idoso fez questão de dizer que tem profissão, só não consegue trabalho. “Sou açougueiro, já trabalhei em grandes empresas e também na feira, vendendo carne suína.”
Bolívia ainda contou que já foi uma espécie de gerente de um hotel em Vilhena. “Os donos tinham plena confiança em mim, mas o vicio da cachaça acabou com essa confiança”.
Os outros dois não quiseram se identificar. O mais novo é do estado do Maranhão e aparenta ter aproximadamente 25 anos. Ele disse que está em Vilhena há pouco mais de um mês. Segundo diz, ele veio por uma promessa de trabalho em uma fazenda da região, mas teve sua bolsa roubada no hotel pela pessoa que supostamente lhe daria o trabalho. Sem dinheiro e sem conhecer ninguém na cidade, o rapaz se viu obrigado a dormir na bilheteria do ginásio.
Enquanto contavam suas histórias, por volta de 8h30 da manhã de hoje, os três bebiam diretamente do “bico” de uma garrafa pet, um líquido incolor desconhecido no momento. O lquido´, segundo informações dos funcionários do posto de combustível próximo ao ginásio, seria uma mistura de água, aguçar e álcool combustível. Isso mesmo: álcool usado para abastecer carros. De acordo com os frentistas, eles compram o álcool combustível porque é mais barato que a aguardente.
Na tarde de ontem, 14 de outubro, uma quarta pessoa chegou ao local para dormir. Essa pessoa disse que está de passagem e somente esperaria amanhecer para seguir para Cuiabá (MT). Mas, nesta manhã, quando o www.folhadosulonline.com.br retornou ao local para conversar com os demais, ele ainda estava lá.
Mesmo que aquelas pessoas pareçam não se incomodar, o local está imundo, muita sujeira, inclusive restos de comidas espalhadas, sem falar do mau cheiro.
Providencias devem ser tomadas pelas autoridades, não somente no sentido de limpar o local, mas também (e principalmente), na ajuda àquelas pessoas, para que elas tenham o mínimo para viver com dignidade. Afinal, não é para agir nesses casos que existe a Secretaria Municipal de Assistência Social?