Embora não haja dado oficial disponível a respeito, sabe-se que é grande o número de moradores de cidades do Cone Sul que viajam de avião para outros Estados brasileiros. É também grande a quantidade de cidadãos rondonienses da região que decidem embarcar nas aeronaves em Cuiabá, capital do Mato Grosso, a cerca de 700 quilômetros de Vilhena.


O problema, no entanto, é o preço das passagens aéreas que saem diretamente de Vilhena, do aeroporto Brigadeiro Camarão. Por falta de concorrência e por ter pouca demanda, a única companhia aérea que opera na cidade cobra preços de tarifas bem acima da média de distância de outros trechos onde existem mais concorrência e mais procura.


Por isso, os viajantes do Cone Sul têm preferido tomar as aeronaves na cidade de Cuiabá. As empresas de ônibus em Rondônia já fazem paradas no aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande, cidade vizinha a Cuiabá, para deixar passageiros que seguirão viagem de avião dali por diante.


Uma viagem até a capital de São Paulo, por exemplo, fica até R$ 800 saindo de Vilhena. Na mesma companhia, mas saindo de Cuiabá, pode ficar em torno de R$ 300, sendo que a passagem de ônibus de Vilhena à capital do Mato Grosso não passa de R$ 100.


Mas, recentemente, os viajantes do Cone Sul têm enfrentado uma dificuldade a mais ao viajar neste trecho, que é parcialmente terrestre e parcialmente aéreo.


O aeroporto Marechal Rondon está numa reforma que parece perpétua, pois Cuiabá será um dos palcos da Copa de 2014. Mas o problema não é só esse. Caso um rondoniense queira ou precise se hospedar num hotel nos entornos do aeroporto mato-grossense, é preciso desembolsar quase R$ 200 por uma única noite. O mesmo hotel chega a cobrar até R$ 50 por um mísero banho.


Além dessas questões econômicas, existe a longa demora. Uma viagem de ônibus de Vilhena a Cuiabá leva mais tempo que de avião de Cuiabá para qualquer ponto do restante do país.


Gelson da Conceição, um pastor evangélico de Cerejeiras, viajou, há quatro semanas, para João Pessoa, na Paraíba. O religioso saiu de ônibus de Vilhena e embarcou no avião em Cuiabá.


Na volta, o líder religioso cometeu um erro que muitos cometem ao voltar de viagem pelo mesmo trecho. “Eu tomei um táxi do aeroporto de Várzea Grande para a rodoviária de Cuiabá. Ficou muito mais caro para mim”, disse.


Essa confusão é comum porque o aeroporto Marechal Rondon, que fica em Várzea Grande, é comumente chamado de Aeroporto de Cuiabá, mas fica a meia hora de táxi da capital do Mato Grosso.