Há mais de três meses, uma cadela de “raça indefinida”, qualificação elegante que alguns usam para se referir para animais “vira-latas”, perambula pelo pátio do Hospital Regional de Vilhena. Dias após aparecer no local, ela deu à luz uma ninhada de dez filhotes, todos eles levados por pessoas que se compadeceram da situação.

Assim, sem a responsabilidade de criar os filhos, a cachorra permanece no local, onde se alimenta das sobras do próprio hospital, mas também ganha comida dos funcionários e dos taxistas que trabalham em frente à unidade.

O animal não tem nome e inspira uma teoria: seu dono seria um paciente do Regional, a quem ela teria acompanhado até a portaria, onde acabou impedida de entrar. O homem teria morrido ali e, desde então, a vira-latas a aguarda, se virando como pode. Mas é só uma suposição, já que ninguém aparece para reclamar a propriedade da bichinha.

À noite, a cadela se deita ao relento num canto do hospital e dorme por algumas horas. Arredia, já escapou de várias tentativas de captura. Numa delas, um taxista chegou a colocar sonífero na comida, disposto a levar a desconhecida para casa.

A mascote, talvez por instinto, interrompeu a refeição após algumas bocadas e, mesmo zonza pelo remédio, conseguiu fugir. Uma funcionária do HR também quis adotá-la, mas a bicha saiu correndo quando a mulher tentou se aproximar.

Dócil e aparentemente bem tratada, a cachorra exibe uma coleira, mas como não permite contato muito próximo com ninguém, o que poderia ser uma pista para encontrar o dono, ficou sem qualquer serventia.