Às turras com o prefeito Zé Rover (PP) desde que este assumiu o cargo, a Câmara de Vilhena está adotando uma postura cautelosa diante do escândalo que abala a administração municipal. Por muito menos do que a atual crise, vários parlamentares chegaram a ameaçar com a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar supostas ilegalidades na Prefeitura. A própria Semter, na época comandada pela advogada Vera Paixão, chegou a ser alvo de críticas. O presidente da Câmara, Carmozino Taxista (PSDC) chegou a tachar Vera de “advogada do diabo” e prometeu obter o apoio de colegas para fazer uma devassa no órgão.
Agora, no entanto, com a Pasta sob investigação da Polícia Federal, nenhum parlamentar se pronuncia sobre a situação. Cauteloso, o mesmo Carmozino irado de tempos atrás dá lugar a um discurso conciliador: “Vamos esperar as investigações da Polícia Federal. Não podemos nos precipitar”, diz.
Outro que também mantém silêncio sobre o escândalo é o peemedebista Jacy Alves, cujo sobrinho, Ademir, é um dos envolvidos na tentativa de extorsão contra um empresário. Conhecido pela oratória inflamada, Jacy tem sido um dos maiores defensores da ampliação do perímetro urbano da cidade, justamente a medida que serviu para justificar o pedido de propina ao empresário extorquido.
TODO MUNDO TREMENDO – Embora se digam tranqüilos, há vereadores apavorados com a possibilidade de a Polícia Federal ter em mãos as conversas que alguns mantiveram com Ademir e Bruno. O pavor é justificado pelo fato de os detidos pela PF terem revelado, em vídeo e áudio gravados sem o conhecimento de ambos, que parte da propina serviria para corromper parlamentares, a fim de que eles aprovassem a transformação de áreas rurais em zonas urbanas.