Avô diz que garoto foi abandonado em boca de fumo na cidade e quase morreu de desnutrição
Na manhã deste sábado, 14, a reportagem do FOLHA DO SUL ON LINE encontrou, nos braços da avó paterna, na Unisp de Vilhena, o pequeno H., de apenas 1 ano e 8 meses. Amanhecer naquele ambiente não foi nada para a criança, comparado ao que ela já passou na vida, em sua curta existência.
Na madrugada de hoje, o menino chegou à casa da avó, cabeleireira, no bairro Cristo Rei. Estava a bordo de um carro de aplicativo, junto com a mãe e uma amiga dela. A avó, vendo o estado do garoto, tossindo muito e com o nariz escorrendo, o levou ao Hospital Regional. E em seguida, foi narrar o que aconteceu para a polícia.
Ao site, a cabeleireira contou que, na quinta-feira, 12, a mãe do bebê, sua ex-nora, pediu que ficasse com o menino. Alegou que o pai levou um tiro em Vilhena, se mudou da cidade e ela não tinha onde morar. Detalhe: a mãe tem 15 anos e já se envolveu numa série de problemas com drogas e a polícia.
O pai da criança (filho da cabeleireira) se envolveu num acidente de moto e ficou com seqüelas neurológicas graves. Após isso, ele e a mãe do pequeno se separaram e ela o levou consigo.
Uma denúncia anônima levou o Conselho Tutelar à casa da cabeleireira e o bebê foi recolhido, sendo levado para o Abrigo de Menores. Pouco depois, a própria mãe adolescente também foi parar na instituição. Hoje de madrugada, ela fugiu do local com o garotinho no colo, entregando-o novamente à avó.
A reportagem questionou a direção do Abrigo de Menores sobre a fuga de mãe e filho em plena madrugada, mas a instituição disse que não poderia comentar o episódio.
VIDA SOFRIDA
Em conversa do site com o avô, comerciante, ele contou que, cerca de 8 meses atrás, o neto foi resgatado numa boca de fumo, onde havia sido deixado pela própria mãe. “Ela disse que pagou a mulher para cuidar, mas a verdade é que a suposta babá era usuária de drogas”, relatou.
Naquela ocasião, o bebê foi levado ao Hospital Regional, desnutrido e doente. “Ele estava nas últimas, pois havia passado dois dias sem comer. Mal conseguia se equilibrar e ficar sentado”.
Nos meses seguintes, o menino se recuperou, ganhou peso e estava bem, mas aí veio outro drama: o avô materno passou a ameaçar a avó paterna, exigindo que o neto fosse devolvido. “A gente acabou entregando, mesmo contra a vontade, porque a coisa poderia ficar pior”.
O DESFECHO
Neste momento, a criança continua na Unisp, onde um médico legista foi chamado e atestou que ela está em “estado de pneumonia”, o que caracterizaria omissão. Representantes do Abrigo e do Conselho Tutelar acompanham o caso e aguardam uma decisão judicial para saber com quem e onde o menino deve ficar. A avó paterna reinvindica a guarda para si.
Autor:
Da redação
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 14 de Setembro de 2019, às 11:34