Esteve na redação do FOLHA DO SUL ON LINE, na tarde desta sexta-feira, 16, o agricultor Natal Ghilardi, presidente da Associação dos Pequenos Produtores Rurais do Vale do Rio Ávila (Asprova). Ele veio reclamar que a entidade, mesmo sem recursos, está sendo cobrada na justiça e vem arcando com uma dívida que, hoje, chega a quase R$ 40 mil.
Ghilardi diz, no entanto, que além de injusta, a cobrança é ilegal. Mas vem sendo quitada em parcelas para que as 45 famílias que ocupam uma área de 2008 hectares a cerca de 30 km de Vilhena, percam a posse da propriedade. O agricultor, no entanto, pretende entrar na própria justiça para suspender o débito e receber o que já foi pago.
O líder comunitário explica que, desde 1998, as famílias estão na área, que na época estava abandonada. Em 2003, elas entraram com um pedido de manutenção de posse da terra, o que chegou a ser concedido por um juiz de Vilhena. Dois anos depois, no entanto, uma outra magistrada determinou que eles deixassem o local.
Representados por um defensor público, já que não dispõem de recursos, os agricultores já receberam cinco ações de despejo, mas sempre conseguem reverter as decisões e se mantêm na fazenda, onde produzem “de tudo”, segundo Natal.
A esperança do grupo é que o assunto seja resolvido pacificamente pela Ouvidoria Agrária Nacional que, de Brasília, acompanha o desenrolar da disputa. Segundo diz, a terra hoje ocupada foi dada como garantia ao extinto Beron num empréstimo tomado para o cultivo de arroz. Acontece que o antigo dono nunca plantou nada lá.
Ghilardi diz que tem documentos e fotos de satélite mostrando que nada foi produzido na terra antes da chegada das famílias. “Esperamos que a justiça, ao invés de nos impor taxas que temos dificuldades para pagar, reconheça o nosso direito”, finaliza.