Recomendação é para que divulgação seja feita sem “glamourizar” tragédias

Nos últimos meses, praticamente toda a imprensa do Cone Sul passou a adotar novas formas de noticiar casos de suicídios. Há décadas, este assunto é tabu para a maioria dos comunicadores, uma vez que estudos científicos comprovam que abordar as mortes autoprovocadas de maneira “espetaculosa” tende a levar ao aumento de casos.

Em Vilhena, mesmo com tais cuidados por parte dos jornalistas, os casos continuam acontecendo, mostrando o quanto é grave a situação, e não deixando dúvidas: mais que um problema potencializado por eventuais falhas de comunicação, as mortes compõem um trágico quadro de saúde pública, mobilizando profissionais, ONGs e religiosos.

Esta FOLHA, que em várias ocasiões entrevistou especialistas e publicou dicas para lidar com a tragédia (lembre aqui), vem acompanhando o aumento dos suicídios, que fazem vítimas em praticamente todos os segmentos: dos jovens se famílias financeiramente estáveis, a empresários aparentemente prósperos.

A maioria das mortes, segundo revelam as autoridades de saúde mental na região, é motivada por problemas psiquiátricos, que às vezes são desencadeados por outra série de fatores. 

Noticiar suicídios é doloroso também para a imprensa, embora muitos ainda imaginem que as publicações sejam feitas unicamente pela busca de audiência maior.

Nos casos recentes, porém, praticamente todos os veículos de comunicação da região seguiram as regras para lidar com este polêmico acontecimento (entenda aqui), mas mesmo isso não tem ajudado a frear as tragédias.