O julgamento do agricultor acusado de matar uma faxineira em Corumbiara, caso que foi levado à júri popular em Cerejeiras nesta quinta-feira, 03, levou o maior número de cidadãos ao auditório do Fórum nos últimos tempos. A maioria das pessoas que assistiram ao julgamento era de Corumbiara, sendo parte parentes e amigos do réu e parte parentes e amigos da vítima, além de estagiários de Direito e cidadãos curiosos, como mostra esta foto do auditório do local em que foi proferida a sentença.


O agricultor Norberto Augusto Soares, de mais de 40 anos de idade, foi levado ao banco dos réus acusado de matar a faxineira Elisângela Maria de Campos, com quem tinha um suposto relacionamento amoroso. O crime ocorreu no dia 17 de julho de 2013 e o corpo dela só foi encontrado no dia 20 de julho do mesmo ano. O acusado foi preso no dia 19 de agosto, um mês depois do homicídio ao confessar o crime ao delegado da Polícia Civil de Cerejeiras, Giuliano Ricardo Lopes.


No julgamento, que começou por volta das 8h00 da manhã, a acusação, representada pelo promotor de Justiça Marcos Paulo, da Ministério Público de Cerejeiras, argumentou, com um discurso lógico e recheado de dados colhidos em cima das provas dos autos do processo, que o agricultor era realmente culpado pelo assassinato da faxineira.


Segundo a acusação, Elisângela foi morta depois de uma luta corporal com Norberto, vindo a ser espancada. A mulher, segundo a acusação, teve o couro cabeludo arrancado pelo acusado, e depois foi enforcada com uma corda elástica (estirante de moto). Em seguida, foi parcialmente carbonizada em uma fogueira de pneus e pedaços de pau.


Já a defesa, feita por três advogados particulares (um de Cerejeiras, outro de Colorado e o terceiro de Porto Velho), num discurso inflamado, argumentou que as provas dos autos não seriam suficientes para incriminar o réu e que havia outros suspeitos pelo crime com igual probabilidade de culpa.


Tanto a defesa quando o réu argumentaram perante a juíza Roberta Cristina Macedo, que conduzia o julgamento, que o acusado tinha confessado o crime à polícia “debaixo de pressão”.


Em resposta, a acusação argumentou que os autos são suficientes para responsabilizar o réu pelo crime de assassinato e ocultação de cadáver e que faz parte de qualquer inquérito as limitações de provas físicas, sendo reduzidos àqueles procedimentos que oferecem probabilidade técnica de verificação.


O juri cerejeirense, já por volta das 22h00, ao votar o caso, condenou o réu pelo crime de assassinato triplamente qualificado e ocultação de cadáver, ou seja, o júri acatou a tese da  acusação.


O agricultor Norberto Soares pegou uma pena de 20 anos de prisão pelo homicídio e mais um ano e três meses pelo crime de ocultação de cadáver, totalizando uma pena de 21 anos e três meses de reclusão, sem direito a recorrer em liberdade. O réu foi recolhido à cadeia pública de Cerejeiras, onde estava preso desde agosto do ano passado.


Entre os presentes no julgamento estava a família do acusado. Depois da condenação, os filhos do agricultor e a esposa dele tiveram autorização para vê-lo em particular. Em uma rápida conversa com o FOLHA DO SUL ON LINE, a esposa de Norberto disse que acredita que o marido seja inocente do crime pelo qual foi condenado.