45 médicos da linha de frente pediram demissão durante a pandemia
 
Ex-morador de Vilhena, o jornalista Rômulo Azevedo, que desde o início do ano se mudou para Porto Velho, onde atua na equipe de Comunicação do Governo do Estado, produziu, no final da manhã desta sexta-feira, 26, e publicou no Facebook, algumas das imagens mais dramáticas da pandemia.
 
O comunicador fotografou corpos sendo preparados para sepultamento no Hospital de Campanha equipado pelo governo rondoniense e, já naquele horário (INÍCIO DA TARDE), eram vários os mortos pela Covid-19 apenas naquela unidade, uma das que atendem pacientes contaminados pelo novo Coronavírus.
 
Rômulo, mesmo sendo um profissional experiente, se disse chocado ao registrar as cenas, e lamentou o que vem pela frente: “Infelizmente a tendência é piorar. Muita gente não tem respeitado as orientações sanitárias. A PM e os Bombeiros acabaram com mais de 300 festas clandestinas e a cada final de semana esse número só aumenta. Tenho acompanhado essas operações e, Infelizmente, a tendência é piorar. É assustador o número de pessoas que ainda insistem em se reunir clandestinamente. As prefeituras, o Governo, os empresários e a sociedade civil organizada têm feito suas partes, mas tem muita gente, ainda, dando de ombros para voracidade do vírus. Enquanto isso acontecer, muito mais gente vai morrer e coisa tende a piorar, publicou em suas redes sociais.
 
Ao FOLHA DO SUL ON LINE, o repórter lembrou que, a partir do próximo dia 31 de março, a linha de frente do combate à pandemia estará desfalcada de 45 médicos, que pediram demissão, atraídos por melhores salários em outras regiões.
 
Assim, a rotina dos profissionais que continuam “na trincheira”, segundo Rômulo, se tornará ainda mais desgastante e haverá muita dificuldade para o Estado fechar a escala de plantões. “Todos os municípios que não dispõem de estrutura para atender seus doentes os enviam para cá. O que temos acompanhado é o desgaste físico e emocional de todos os profissionais de saúde que estão atuando na linha de frente. Eles já passaram do limite do cansaço. O estresse sobre a rede de saúde é muito grande, não só no Governo do Estado, mas em todos os municípios de Rondônia. Se as pessoas não se cuidarem, e não entenderem que precisam cuidar do próximo, eu acredito que a gente pode até vencer a pandemia do Coronavírus, mas não venceremos a pandemia do desamor, da falta de compromisso e responsabilidade social”.
 
Sobre a ideia de usar as imagens assustadoras como alerta, o jornalista argumenta: “faz tempo que todos avisam que a situação é grave, mas muitos não entendem e continuam desprotegidos e se aglomerando. Talvez esse ‘choque de realidade’ os convença a repensar suas atitudes”, finalizou.