O jornalista reuniu mais de 200 depoimentos e provas em documentos protocolados na Justiça
 
A dificuldade para a confecção do Registro Geral (RG), em Rondônia, chegou ao Judiciário. O jornalista Paulo Mendes, de Vilhena, ingressou na quinta-feira, 21, com uma Ação Popular para obrigar o governo do Estado a resolver o problema, que tem prejudicado milhares de cidadãos em diversas cidades.
 
Em Vilhena, Mendes produziu, há poucos dias, um programa dentro da unidade responsável pela emissão do documento e constatou dezenas de pessoas tentando obter o RG, sem sucesso. Há relatos de cidadãos que já tentaram agendar o pedido mais de 200 vezes e outros estão na busca há mais de um ano.
 
A situação é ainda mais grave para idosos que, sem acesso a internet, e sem conhecimento tecnológico, caminham até a Unisp para realizar o agendamento online. Muitos relatam frustração e sentimento de impotência diante da burocracia.
 
O jornalista reuniu mais de 200 depoimentos e provas em documentos protocolados na Justiça, pedindo liminar urgente para que o governo rondoniense seja obrigado a tomar medidas imediatas.
 
Enquanto isso, denúncias nas redes sociais que chegaram à imprensa, revelam a existência de um mercado paralelo de cobrança por vagas no sistema de agendamento. Reportagens do G1 apontam que intermediários chegam a cobrar entre R$ 30 e R$ 50 para garantir atendimento, prática considerada ilegal e desrespeitosa com quem tenta conseguir o documento de forma legítima.
 
Muitos cidadãos só conseguem avançar no processo pagando, enquanto outros permanecem sem acesso ao serviço. “É como se os mais fortes e mais hábeis furassem a fila dos mais vulneráveis e levassem vantagem no processo”, disse o jornalista.
O sistema implantando pelo governo prevê uma “cota diária” de vagas para cada cidade de Rondônia, de acordo com a população. O problema é que o número tem sido insuficiente para atender a demanda. Em Vilhena, são apenas 54 vagas diárias, causando um déficit no serviço.
 
O jornalista acredita que o Ministério Público já tem conhecimento do caso, mas, a Ação Popular busca formalizar um pedido urgente, assinado pelo advogado Adenilson Magalhães, para acelerar a solução. A expectativa é que a Justiça conceda liminar obrigando o governo a normalizar o atendimento, antes mesmo do julgamento definitivo.
 
Para a população, especialmente os mais vulneráveis, a emissão do RG é um direito básico que não pode ser negado. “Esperamos que a justiça seja sensível ao transtorno que a falta de vagas vem causando em todo o Estado, e conceda uma liminar para aliviar a espera de milhares de pessoas”, disse Mendes.
 
Enquanto a solução não vêm, as queixas continuam todas as sextas feiras logo depois que o sistema é fechado e poucas pessoas em todo o Estado conseguem fazer o agendamento.