Padre e pastores afirmam que colaboram com restrições por conta da pandemia
Todas as manhãs de domingo, o padre José Hélio entra na catedral da Igreja Católica Cristo Salvador, em Cerejeiras.
Como de costume, o pároco começa sua celebração religiosa a partir das 9h00. No entanto, desde o último dia 20 de março, uma diferença brutal aconteceu na igreja: as celebrações são sem público. O culto passou a ser transmitido pela internet, através do Facebook.
Os bancos vazios têm uma razão: as medidas de prevenção ao Coronavírus impostas por decretos estadual e municipal. O padre cerejeirense, em entrevista ao FOLHA DO SUL ONLINE, disse que atende e entende as exigências das autoridades, mas não esconde a dor: “Estou sem o meu povo. As transmissões online nos ajudam neste momento, mas torna a comunhão meio superficial. Para o católico, a presença na missa aos domingos é especial e muito importante”, disse José Hélio. “Mas temos que passar por isso. Temos que preservar a saúde das pessoas e evitar o pior, por isso estamos colaborando”, disse o padre.
No outro espectro religioso, os pastores evangélicos também recorreram à internet para transmitir os cultos aos rebanhos em Cerejeiras em tempos de pandemia.
É o caso, por exemplo, do pastor luterano Carlos Schneider. “Os luteranos não vão à igreja com muita frequência como os outros evangélicos vão. Mas é claro que também estamos sendo afetados pela pandemia. Os trabalhos estão indo normalmente, como os estudos bíblicos nas famílias, o atendimento aos doentes. O que não estamos tendo são as reuniões presenciais. Para o luterano, este não é um momento fácil, pois prezamos muito pelos cultos sacramentais e litúrgicos, que são presenciais. Mas a gente entende que é por uma causa maior e em breve vamos passar essa fase”, disse o líder da Igreja Luterana em Cerejeiras.
O pastor da Igreja Batista Nacional, Avelino Silva, também recorreu aos cultos online para manter contato com o seu rebanho no município e chegou a fazer um canal no YouTube para postar suas pregações. Ao site, ele conta como tem sido sua experiência: “Estamos vivendo uma quebra de paradigma, passamos das ministrações presenciais para virtuais, e tem sido desafiador. Uma prova de fé e maturidade para o rebanho”, disse o pastor, cuja foto ilustra esta reportagem.
Autor:
Rildo Costa
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 17 de Abril de 2020, às 17:26