Tereza Faustina Mota tem 76 anos e já trabalhou na construção civil
 
Por telefone, o FOLHA DO SUL ON LINE entrevistou a cadeirante filmada esta semana trafegando pela contramão da BR 364, em Vilhena. Uma leitora do site reconheceu a mulher que aparece nas imagens e forneceu o contato dela, que conversou gentilmente com a reportagem, na qual revelou uma história de lutas e superação (ENTENDA AQUI).
 
A entrevistada se chama Tereza Faustina Mota e tem 76 anos, 45 deles morando em Vilhena, onde chegou vindo de Mato Grosso. Aqui, ela trabalhou na construção civil, tendo sido uma das poucas mulheres na atividade tipicamente masculina naquela época.
 
“Eu pintava, trocava fechaduras, enfim, fazia de tudo um pouco. E adorava a profissão, na qual fazia o que me mandavam”, relembra a idosa, que hoje mora com um neto e perto do ex-marido, que tem uma casa no mesmo terreno, no bairro São José.
 
Tereza revela que, cerca de 35 anos atrás, começou a perder o movimento das pernas, mas depois de vários exames, feitos em Rondônia e outros Estados, nenhum médico descobriu qual é o problema que a deixou paraplégica. “Tem uns 15 anos que vim parar nessa cadeira de rodas”, lamenta, mas mantendo o bom humor.
 
No dia em que foi filmada, a ex-construtora estava voltando para casa, após visitar o filho, que mora no bairro Bodanese, do outro lado da rodovia. “Eu sei que corro riscos, mas tenho que escolher entre percorrer um pequeno trecho na contramão da BR, ou ir até a rotatória do Posto Cinta Larga, quase um quilômetro mais longe”.
 
A entrevistada, que tem 8 filhos, denuncia (é é apoiada por uma neta), a falta de acessibilidade em vários locais na cidade, inclusive no bairro em que reside. Com a idade avançada, ela enfrenta ainda mais dificuldades para transpor os obstáculos que limitam sua movimentação, mesmo na cadeia motorizada.
 
“Tudo o que ela falou é verdade: a acessibilidade aqui em Vilhena é horrível. Ela tá errada, mas os representantes da cidade também, porque NUNCA fazem nada pra facilitar a vida dos deficientes físicos; constroem um monte de acessos para carros e motos terem mais facilidade, e os cadeirantes que se lasquem, né? Em qualquer lugar da cidade que os deficientes andarem, vão estar sempre errados, porque eles não têm vez. Infelizmente”, acrescenta a neta.