“Agricultor paga os impostos dele, mas na hora de educar o filho, está desassistido”
Um estudante procurou a FOLHA DO SUL na sexta-feira, 05, para denunciar a falta de atenção dada aos jovens estudantes da zona rural de Vilhena, que enfrentam uma série de dificuldades, principalmente referente ao transporte, para que seja possível chegar às salas de aulas. Drama já relatado aqui no site.
Hernandes Henrique, de 19 ANOS, citou o recente acidente que envolveu um ônibus escolar (lembre aqui). “A gente ia protocolar uma denúncia, porque praticamente eles calaram a voz dos pais. Nenhum pai fez um Boletim de Ocorrência, ou entrou com um processo. Ninguém protocolou, porque praticamente foi lesão corporal, e foi dito que acidentes acontecem. Mas um volante de ônibus travar?”, questionou.
O rapaz explica que, muitas vezes, os pais não têm o entendimento de como deve agir, e por isso nenhuma denúncia referente ao acidente foi protocolada. Ela cita também que, no começo da gestão atual, os ônibus passaram por vistoria, mas questiona o porquê de quebrarem tanto.
“Precisa de carros novos e de uma educação de qualidade. Os pais devem procurar um advogado e protocolar uma denúncia no Ministério Público. Esse acidente não teria acontecido se a vistoria tivesse sido feita corretamente”, disse.
Hernandes, que agora já está na faculdade, relatou que na época em que dependia do transporte para chegar à escola, nos veículos não havia cintos de segurança, e os alunos chegavam manchados de poeira, o que era até mesmo motivo de chacota. O estudante pontua que esse é um problema que, independente da gestão, continua causando transtornos.
Alguns alunos saiam de casa às 10h da manhã, e só retornar às 19:30h. “Mas já chegamos umas 22h, e tem gente que está sem se alimentar. Teve um tempo que a gente passava no assentamento, mas uma vez o ônibus quebrou e não tinha como comunicar a família. Um pai veio atrás e conseguiu avisar aos outros que o ônibus estava quebrado. Às vezes uma escola não tinha aula, só um aluno não tinha aula, e eles não iam também”, revelou.
O estudante contou ainda que chegou a reprovar por causa do atraso para chegar à escola. No ano seguinte, para que o mesmo não acontecesse, seu pai passou e levá-lo para as aulas. “Reprovei porque chegava atrasado, ganhava falta. Não tinha veículos e quando um estragava não tinha outro pra repor. Por causa das faltas, reprovei”, disse.
“Eu vejo que o filho do agricultor é muito desassistido na educação e no transporte escolar. Hoje o agricultor é o que move o país. Até o prefeito, para ir trabalhar, precisa se alimentar, e o alimento vem de onde? Do produtor rural. Ele paga os impostos dele, mas na hora de educar o filho, está desassistido”, finalizou.