2009 é o ano do centenário da primeira passagem do tenente Cândido Mariano da Silva Rondon – mais tarde transformado no legendário marechal – pelas terras onde fica hoje o município de Vilhena. Até agora, a poder público não fez quase nada para reverenciar a epopéia militar que constitui o marco da colonização, assinalada pela “pacificação” dos indígenas e a integração de Rondônia ao resto do país através das linhas telegráficas.
A expedição era composta por 42 homens. Os principais auxiliares de Rondon eram o zoólogo Alípio de Miranda Ribeiro; o médico Joaquim Tanajura e os tenentes João Salustiano Lira, encarregado do serviço de observações astronômicas e serviço de vanguarda; Emanuel Silvestre de Amarante (o Major Amarante, nome da avenida principal da cidade), incumbido dos levantamentos topográficos; Alencarliense Fernandes da Costa, comandante do comboio de reforços; e Antônio Pirineus de Souza, comandante de pelotão.
Exatamente hoje, 29 de junho, faz cem anos que a Comissão de Rondon armou acampamento na área onde ficava a extinta Estação Telegráfica Vilhena, que mais tarde foi transformada no museu Casa de Rondon. A área ficou conhecida a partir da década de 1960 como “Vilhena Velha”, em cujo entorno existiam várias casas rudimentares, que foram sendo sendo abandonadas por causa do nascimento no novo núcleo urbano às margens da rodovia BR 364, onde efetivamente a cidade de Vilhena se desenvolveu.
Em parceria com a Aciv (Associação Comercial e Industrial de Vilhena), a Secretaria Municipal de Esportes e Cultura (Semec) está lembrando a data de forma bem modesta: instalou seis banners com fotos e textos alusivos à data no estande da Aciv na 24ª Expovil (Exposição Agropecuária de Vilhena). Também mostrará no local um documentário em vídeo, produzido por Irio Martinovski, com fotos e a narração da história vilhenense desde a chegada de Rondon.
“Estas iniciativas fazem parte do Projeto Hatisu, desenvolvido pela Semec, e são o primeiro passo para algo mais amplo e que envolve diversos parceiros”, explica o professor de Língua Portuguesa Cledemar Jéferson Batista, colaborador dos trabalhos. Hatisu quer dizer “cesto” na língua nambiquara. “O sentido é valorizar a língua nativa e dar a conotação de que há cesto de informações pertinentes à região”, explica Batista.
O projeto terá prosseguimento durante todo o ano com exposições itinerantes nas escolas e na biblioteca municipal. “Esperamos que em 2011 tenhamos a Casa de Rondon reformada. Neste ano comemoraremos os cem anos da inauguração da estação telegráfica”, lembra o professor.
Apesar da boa vontade e do voluntarismo dos envolvidos no projeto, Vilhena padece do abandono – já há 13 anos – da Casa de Rondon, que deu origem à cidade. Sobre o assunto, João Carlos Regert Neto, agente administrativo da Semec, responde que, ao contrário do que parece, tem havido empenho da administração municipal para recuperar o imóvel.
“Há duas frentes de trabalho neste sentido. Primeiro, a articulação para que a área em que está a casa seja doada pelo Ministério da Defesa ao Município. Em seguida entra a necessidade de que o museu seja tombado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional”, esclarece Regert Neto. Depois de cumpridas estas etapas a construção poderá ser recuperada.
Ainda de acordo com Neto, o município tem se preparado para gerir o museu. “Além de estarmos recuperando o material fotográfico e documentos históricos, participamos, em Porto Velho, de uma série de oficinas oferecidas pelo Instituto Brasileiro de Museus para que o acervo seja mantido de acordo com os critérios desta ciência”, garante o servidor.
O centenário da passagem da expedição militar pelo Planalto dos Parecis ocorre num momento em que Vilhena ganha novos contornos em sua arquitetura. Do rudimentar casebre onde funcionou a estação aos dias de hoje, com prédios modernos no centro, o shopping center em construção e a fama de ser “a Suíça do norte do Brasil” pelos seus indicadores econômicos, a cidade precisa ainda aprender a lição de preservar sua memória. “Isso é importante no processo de construção de sua identidade”, salienta o músico e escritor Mário Guerreiro Mileo, da Academia Vilhenense de Letras.
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Foto 1: Nativo Nambiquara em contato com não-índios nos primórdios de Vilhena
Foto 2: O legendário Marechal Cândido Rondon em quatro tempos