Na capital, juiz interrompe filme para conceder liminar contra prefeito
 
No meio de uma guerra de decretos e liminares, os comerciantes de Vilhena contabilizam prejuízos e não sabem mais quando devem subir ou descer as portas de seus estabelecimentos. Na manhã desta quinta-feira, 16, por exemplo, mesmo estabelecimentos considerados não essenciais estavam funcionando, a despeito do decreto anunciado ontem pelo comitê criado para enfrentar a pandemia de Covid-19 na maior cidade do Cone Sul, que decidiu pela restrição aos segmentos que não são de “primeira necessidade”.
 
A situação está tão confusa que, ontem, o prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves (PSDB), decretou autorização para o funcionamento de várias atividades, incluindo salões de beleza, que vêm sendo proibidos em diversas cidades. Horas após o anúncio, a Defensoria Pública foi à justiça pedindo que a medida do líder tucano fosse barrada (LEIA AQUI).
 
Logo em seguida, o juiz Audarzean Santana da Silva, da 1ª Vara de Fazenda Pública de Porto Velho, concedeu a liminar e obrigou o prefeito a voltar atrás. Em sua sentença, o magistrado escreveu: “Antes de decidir a questão posta, consigno que estava junto de minha esposa assistindo ao filme “Milagre na Cela 7”, quando fui informado por telefone às 23:11h que tinha este pedido para ser apreciado" (CONFIRA NA ÍNTEGRA).
 
Em outras cidades, como Ariquemes e Cacoal, asa tentativas de dar fôlego às economias locais, liberando algumas atividades, também esbarraram em decisões judiciais, que mandaram os prefeitos recuarem, liberando apenas os setores de alimentos e farmácias, além de alguns poucos outros, considerados indispensáveis.
 
Até mesmo o governador Marcos Rocha (PSL), em tese a autoridade máxima do Estado, teve que dar marcha ré, após o MPF aciona-lo na justiça e uma magistrada da capital obrigá-lo a manter o isolamento. Após a decisão, choveram críticas contra a juíza, que chegou a ter seu contracheque exposto em grupos no WahtsApp (CONFIRA AQUI).
 
COMO É QUE FICA EM VILHENA?
Sem um único caso sequer suspeito de paciente contaminado pelo Coronavirus, Vilhena também vai mandar o comércio não essencial fechar as portas ainda hoje.
 
Membro do comitê que decidiu pela aplicação do novo decreto, o comandante da Polícia Militar na cidade, Diego Batista Carvalho disse ao site que os comerciantes, mesmo os que não haviam sido comunicados da decisão, devem encerrar o expediente.
 
O militar disse entender o anseio dos empresários para retomar as atividades, mas esclareceu que a corporação que comanda não pode ignorar a lei. Carvalho revelou já ter orientado as guarnições a fazer primeiro a abordagem educativa, e somente nos casos em que houver resistência, partir para as medidas repressivas.