Transplantada, mãe da jovem de 20 anos enfrenta o mesmo problema
 
Há anos quem busca a agência do INSS em Vilhena para a realização de perícias médicas recebe sempre o mesmo direcionamento: agendamento do procedimento em outras cidades. A situação é alvo constante de críticas de pessoas que precisam de atendimento e, na maioria das vezes, se encontram fragilizadas tanto em relação à saúde quanto no tocante a finanças; e ainda precisam se deslocar a outras praças acumulando,  desgaste físico, psicológico e financeiro.
 
Uma dessas pessoas que têm encontrado barreiras para conseguir o benefício é a babá Raianny Melissa de Souza Santos, de 20 anos. A jovem,  que trabalha com carteira assinada, descobriu em novembro do ano passado que estava gestante. Durante as consultas com o obstetra, veio o diagnóstico de útero bicorno, que é uma alteração congênita, em que o útero possui um formato diferente do normal, devido à presença de uma membrana que o divide ao meio.
 
Por se tratar de uma gravidez de risco, médico recomendou que ela parasse de trabalhar e mantivesse repouso. O profissional de saúde  também a proibiu de viajar.
 
Afastada do trabalho, e, portanto sem receber salário, Raianny procurou o INSS e teve a primeira perícia agendado para o mês de fevereiro, em Porto Velho. Sem poder viajar por causa da sua condição, a babá pediu uma nova data para a perícia que, segundo a mãe dela, Edinalva Aparecida, foi marcada para março, também na capital. “Na data agendada ela estava internada por causa de complicações da gravidez”, explicou a mãe que,  indignada, ainda questionou: “como ela poderia ir, se está proibida de viajar pelo médico?”
 
A babá agora tenta agendar uma nova data sem saber ao certo pra onde será enviada desta vez. “É uma vergonha uma cidade do tamanho de Vilhena, com mais de 100 mil habitantes, mandar as pessoas para outra cidade porque não tem peritos no INSS daqui”, disse a mãe Raianny, que vem enfrentado problema semelhante ao da filha a mais tempo.
 
Edinalva Aparecida, que tem 45 anos, fez um transplante de córnea em abril do ano passado e, desde então, tenta o benefício junto ao INSS. Desde a cirurgia, Edinalva precisa ir periodicamente à Cuiabá (MT) para os retornos com o médico que realizou o transplante. “Estamos passando por dificuldades, porque eu e minha filha não podemos trabalhar e meu marido está desempregado”, disse Edinalva, que revelou que a família tem si mantido com os “bicos” de serviços gerais que o marido faz.
 
No final da conversa Edinalva questionou porque as autoridades do município e do Estado não cobram a vinda de médicos para o INSS de Vilhena. “Cadê o prefeito, os vereadores, deputados, por que não fazem nada para mudar essa realidade?”