O FOLHA DO SUL ON LINE conversou, por telefone, na tarde desta quarta-feira, 18, com o deputado Luizinho Goebel (PV), que havia participado, horas antes, de uma reunião entre caminhoneiros, empresários do setor de transportes e representantes da Amaggi, gigante do setor de compra e exportação de grãos.

A conversa, na sede da companhia em Vilhena, acabou de forma desanimadora, segundo Goebel. A contrapoposta da empresa às reinvindicações dos caminhoneiros, que mantêm bloqueada a BR 364, pedindo reajuste do valor do frete, ficou muito longe do que pretendia a categoria.

Há duas semanas, transportadores de grãos mantém fechada para a circulação de caminhões graneleiros a rodovia federal que cruza Vilhena e atravessa o Estado de Rondônia. Os bloqueios são feitos na entrada e na saída da cidade. Por enquanto, apenas os caminhões que prestam serviços no transporte de grãos estão sendo barrados, mas já há ameaças de fechar a estrada para os demais tipos de veículos.

Ao analisar a frustrada tentativa de acordo, Goebel criticou duramente o governo federal, segundo ele o principal responsável pelo impasse. Fazendo coro à maioria dos caminhoneiros, que apontam a presidenta reeleita Dilma Rousseff (PT), pela crise no setor, o deputado explica: “Tanto as tradings, como a Amaggi a Cargill e a Bunge, quanto os caminhoneiros, são vítimas desta política econômica equivocada. Foram tantos os aumentos de despesas que não há mais como sobreviver na atividade”.

Goebel também condenou outras medidas que penalizam o setor produtivo, lembrando a recente lei aprovada pelo Congresso, que obriga produtores rurais e emplacarem máquinas agrícolas. “Que governo é esse, que penaliza um segmento essencial no desenvolvimento do país?”, questiona.

O parlamentar disse que, após a reunião em Vilhena, os representantes da Amaggi embarcaram para Cuiabá (MT), onde discutirão uma nova proposta para os caminhoneiros. Mas, assim como os que estiveram no evento, o deputado vê com pessimismo as chances de um acordo que ponha vim ao protesto dos transportadores.