Grupo disse ter sido atacado quando ia preparar assentamento
Um membro da Comissão Pastoral de Terra (CTP), entidade ligada à Igreja Católica, entrou em contato com o FOLHA DO SUL ON LINE na manhã de ontem (sábado, 05), para contestar uma reportagem veiculada ontem pelo site.
Foi noticiado no dia anterior à entrevista, que a Polícia Militar havia enviado três guarnições à Fazenda Vilhena, propriedade que já foi palco de um violento massacre que deixou cinco morto e repercutiu em todo o Brasil (LEMBBRE AQUI).
O entrevistado explicou que houve mesmo o tiroteio naquele dia, mas negou qualquer ato de violência por parte das famílias que reivindicam a terra. O grupo teria sido atacado por pistoleiros armados, contratado pelos donos do imóvel.
Segundo o representante da CPT, em setembro do ano passado, por determinação judicial, as 35 famílias que ocupavam dois lotes da Fazenda Vilhena tiveram que deixar a área. Cada lote mede 2 mil hectares.
O denunciante disse que, como não poderiam acampar sequer nas proximidades da fazenda, as famílias haviam obtido autorização de um sitiante para ficar lá, e estavam indo justamente para preparar o local, quando foram recebidos a tiros.
Após o ataque, os agricultores registraram queixa na polícia e explicaram que ninguém do grupo estava armado, argumentando que alguém poderia ter morrido vítima dos tiros disparados pelos seguranças particulares. Uma perícia encontrou projetis dentro dos veículos
A CPT acompanha a disputa judicial envolvendo a propriedade e, segundo o representante da entidade, os dois lotes ocupados já tiveram seus registros cancelados administrativamente, já que não cumpriram requisitos, e devem ser destinados a reforma agrária, beneficiando as famílias que os ocupavam. A ação corre no TRF1, e é acompanhada pelo MPF.
O que os ocupantes aguardam é uma visita do INCRA, que irá cadastrar as famílias que pedem o direito de voltar a morar na propriedade. “Mas o clima tá tenso mesmo. Esperamos que a justiça decida em favor das famílias para encerrar a violência naquele local”, disse o entrevistado.
Fotos
Autor:
Da redação
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 06 de Junho de 2021, às 08:05