Produtores de soja do Cone Sul afirmam que a capacidade de escoamento da safra por meio do transporte terrestre está saturada. O número de caminhões para transportar a produção está no limite do tolerável.
Um dos produtores de soja de Cerejeiras afirma: “A quantidade de caminhões para levar a soja está no limite. Caso colhêssemos mais ou houvesse um pouco menos de caminhões, o escoamento estaria comprometido”, diz. E complementa: “O problema que agrava a nossa preocupação é que não temos sistema de armazenamento”.
O site ouviu também algumas empresas compradoras de grãos (FOTO), mas elas negaram qualquer congestionamento no escoamento de cargas da região. “Até agora não tivemos problemas”, diz um agrônomo ligado a uma empresa compradora em Cerejeiras.
Segundo apurações do FOLHA DO SUL ON LINE, algumas razões são apontadas para o número relativamente baixo de caminhões disponíveis para transportar a safra agrícola.
Primeiro, o transporte de grãos é pouco lucrativo para os caminhoneiros. Boa parte dos profissionais do volante paga financiamento dos veículos e precisam de um valor mais significativo. Como o valor pago pela logística dos grãos é historicamente baixo, muitos caminhoneiros preferem trabalhar com outros tipos de cargas.
O segundo motivo é o número baixo de jovens interessados na profissão de caminhoneiros. Muitos querem fazer faculdade e nem pensam numa boleia de carreta. A profissão já teve glamour no passado, mas hoje é vista como ultrapassada.
O terceiro motivo é a evolução tecnológica dos caminhões. Muitos velhos motoristas não encontram emprego em transportadoras porque as novas carretas são equipadas com GPS, computador de bordo e um sistema tecnológico que requer noções de informática. Uma transportadora com sede no Paraná (e busca cargas em Rondônia) está com 15 carretas paradas, sem motoristas especializados, segundo informações.
Outra razão é a recente “lei dos caminhoneiros” que diminuiu a jornada de trabalho do profissional do volante. A legislação, que traz dignidade ao motorista, veio de repente e as transportadoras ainda não foram capazes de se adaptarem.
E o último motivo é a condição das rodovias, que fazem um caminhão ficar mais tempo que o necessário nas estradas, aumentando o intervalo de ida e volta no transporte de grãos.