O diarista Eliseu Soares de Souza, 29, passa por um drama comum à maioria dos ex-detentos que procuram “arrumar” a vida: conseguir emprego e respeito frente à sociedade. Ele procurou a redação do www.folhadosulonline.com.br para revelar deficiências da Casa de Detenção de Vilhena e para contar as dificuldades de sua realidade livre, porém, permeada com privações.
Vendedor de jornais quando adolescente, Eliseu é de origem humilde e passou por problemas familiares ainda jovem. O mundo do crime lhe apareceu convidativo e o englobou. A vida errante trouxe suas consequências. De 2006 a 2009 Eliseu permaneceu preso na Casa de Detenção do município. Embora afirme que tenha resistido às más influências dentro da cadeia, o diarista explica que há irregularidades gritantes na prisão local. “Mesmo com os empresários dispostos a investir em segurança e melhoras no presídio daqui, os diretores não aplicam bem o dinheiro. Apenas uma pequena parcela do que é passado a eles acaba realmente se transformando em obras”, indigna-se.
Para ele, a principal falha da Casa é a superlotação das celas. “Isso nos deixa inseguros e também sem conforto nenhum. Como estamos todos amontoados, também nos tratam mal”, diz. Segundo Eliseu, os agentes penitenciários “veem os presos como animais”. O diarista reconhece que se estão presos é porque fizeram algo errado, contudo se mostra magoado com a indisposição dos agentes em tentar recuperar os encarcerados. “Ninguém acredita mais no preso”, afirma.
O albergue, utilizado para apenados que progrediram de regime, deveria ser extinto, segundo Eliseu. Ele garante que apenas 10% dos que são remanejados para o albergue permanecem lá. “Os outros 90% ficam ausentes. Albergue não funciona”, resume.
Além disso, o rapaz sofreu várias decepções trabalhistas desde que saiu da cadeia. Diversos empregadores lhe prometeram boas condições de serviço e remuneração razoável, no entanto, não cumpriram a palavra. “Ainda estou a procura de um trabalho onde me registrem profissionalmente e que eu possa ter confiança no emprego. É por isso que muitos voltam para o crime”, lamenta.