Anedino Carlos Pereira Junior, além de empresário do ramo farmacêutico em Colorado do Oeste, era visto como um político realizado. Aos 45 anos, foi eleito e reeleito prefeito de uma das principais cidades do Cone Sul. E, não só isso, foi reconduzido ao cargo com uma margem de voto esmagadora sobre o único adversário que o desafiou nas urnas. Na eleição de 2012, Anedino da Farmácia (PP), como o político é conhecido no município, venceu o professor Aparecido Dias, conhecido como Cido do PT, com quase 56% da votação.

Como se não bastasse, Anedino renunciou ao cargo de prefeito de Colorado em maio deste ano para tentar um voo solo na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa de Rondônia. Passou o cargo ao vice, Josemar Beatto (PSDC), que administra o município atualmente, e partiu para a batalha eleitoral. 

Anedino, na disputa a deputado estadual na última eleição, enfrentou adversários dentro e fora da região sul de Rondônia.Saiu da disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa com 5.043 votos.

Nesta entrevista ao FOLHA DO SUL ON LINE, o político que foi um dos prefeitos mais populares do Cone Sul,  hoje sem mandato e sem perspectiva de retorno à política a curto prazo, diz que não se arrepende da decisão e revela que voltou a fazer o que fazia antes, ou seja: viver como um coloradense comum. Anedino falou ao site na noite da última sexta, 12, na inauguração da nova agência do CrediSul/Sicoob em Colorado.

 

O senhor tinha ainda mais de meio mandato de prefeito nas mãos. Mas largou tudo e partiu para uma disputa arriscada a deputado estadual e não foi eleito. O senhor se arrepende?

Não, eu não me arrependo. A disputa a deputado estadual foi uma experiência na minha vida política. Aprendi muito, fui a campo, ouvi as pessoas do Cone Sul inteiro e não somente de Colorado. Eu não me arrependo.

 

O senhor era um prefeito muito popular e um nome político bem aceito no Cone Sul, além de ser de um partido forte. Como, então, explicar que o senhor foi derrotado na disputa para deputado estadual?

A população do Cone Sul tem uma ânsia muito grande de eleger um deputado da região. Sendo assim, acaba todo mundo saindo para disputar a vaga e todo mundo que sai ganha voto. Daí não se elege ninguém. Eu acho que o Cone Sul está, a partir do ano que vem, sem representante na Assembleia, pois a Rosângela [Donadon, PMDB] tem muito compromisso em Porto Velho e o Luizinho [Goebel, PV] tem compromissos eleitorais em Alvorada do Oeste, onde também foi bem votado. Então é por isso que eu digo que, a partir do ano que vem, estamos sem deputado estadual genuinamente do Cone Sul.

 

O que o senhor está fazendo hoje, uma vez que ficou sem mandato?

Eu estou trabalhando na minha farmácia [Anedino é proprietário de uma farmácia em Colorado]. Posso dizer que eu voltei às minhas origens. Hoje eu sou um cidadão comum. Eu era um cidadão comum, virei prefeito por duas vezes e, agora, voltei às origens.

 

Como é o relacionamento do senhor com Josemar Beatto, o novo prefeito, que era vice e assumiu sua cadeira?

É bom. Meu relacionamento com ele é bom. No dia em que renunciei, eu disse ao povo de Colorado que iria me comportar como ex-prefeito. Eu deixo o Josemar administrar em paz e reconheço o meu lugar, acompanhando apenas como um cidadão comum. Quando renunciei, eu disse a ele que eu iria me comportar como ex-prefeito assim como ele se comportou como vice.

 

Qual é a expectativa política do senhor para 2016? Vai concorrer a algum cargo ou apoiar alguém?

Eu não posso me candidatar em 2016. Pela lei, tenho de dar um intervalo de quatro anos para me candidatar ao executivo coloradense, pois meu mandato venceria em 2016. Sinceramente, eu não sei o que fazer neste sentido, pois não tenho nenhum plano em vista.