Enquanto a natalidade caiu 21% em Rondônia de 2015 para cá, Vilhena vive aumento vertiginoso, veja dados
Vilhena consolida-se como um fenômeno populacional em Rondônia. Enquanto o Estado enfrenta um “inverno demográfico”, com quedas sucessivas no número de registros de novos nascimentos, o "Portal da Amazônia" registra um crescimento robusto. Em 2025, a cidade alcançou a marca de 1.867 nascimentos, uma alta de 13% em relação ao ano anterior, consolidando um ciclo de expansão que ignora a tendência estadual.
Os dados, compilados até 21 de dezembro, revelam um abismo entre o comportamento da maior cidade do Cone Sul e a média estadual. Desde 2015, Rondônia viu seu volume total de nascimentos despencar de 29.033 para 22.826 anuais, uma retração severa de 21,4%.
Em contrapartida, Vilhena encerrou o mesmo período com um saldo positivo de 4%. O crescimento recente é ainda mais impactante: após um 2024 já expressivo (6,3% de alta), o salto de quase 13% em 2025 coloca o município em um patamar de crescimento populacional não visto em toda a série histórica dos registros civis.
A análise feita pelo FOLHA DO SUL ON LINE abrangeu toda a série histórica e permitiu identificar um divisor de águas: o ano de 2020. Com a chegada da pandemia de COVID-19, o medo e a incerteza econômica provocaram um recuo imediato na natalidade. Vilhena sentiu o golpe de forma aguda naquele ano, com uma queda drástica de 15,1% nos nascimentos.
Contudo, a reação vilhenense foi distinta. Enquanto o Estado de Rondônia nunca conseguiu recuperar os patamares pré-pandêmicos — mantendo quedas quase ininterruptas desde 2019 —, Vilhena demonstrou resiliência. O que era um "vazio" demográfico transformou-se em uma demanda reprimida que explodiu nos últimos dois anos.
A pandemia mudou permanentemente o perfil populacional. Para o Estado, a queda de 21% sugere um envelhecimento mais rápido da população e um futuro com menos mão de obra jovem, seguindo uma tendência já conhecida em âmbito nacional e mundial.
Já para Vilhena, o cenário é de pressão por serviços. O aumento vertiginoso em 2025 indica que a cidade não apenas recuperou as perdas da pandemia, mas acelerou seu ritmo de crescimento. Esse movimento pode ser explicado pela força do agronegócio e a migração interna, que atraem famílias jovens para a região, mantendo a taxa de natalidade aquecida em meio ao deserto demográfico que atinge o restante de Rondônia.
O reflexo imediato é o aumento no número de atendimentos pediátricos, exigências por vagas em creches e escolas infantis, serviços de babás, diaristas e todo o universo comercial que envolve bebês, crianças e famílias com filhos pequenos.
Fotos
Autor:
Da redação
Fonte:
Imagem: Reprodução / IA
Publicado em 23 de Dezembro de 2025, às 15:25