Jornalista, que já editou o jornal FOLHA DO SUL e que já cobriu pautas densas sobre política e comportamento, Júlio Olivar faz jus ao adágio de que a vida começa aos 40 anos. Ao entrar na casa dos "enta", dia 14 de junho, ele lançou seu primeiro livro de poesias, “O Notívago”, escrito numa linguagem que classifica de “pop-art”.
Olivar sempre escreveu "escondido" poemas, entre um texto sisudo e outro publicados nos jornais em que trabalhou ao longo de 20 anos de carreira. O resultado é um pocketbook pré-lançado em Porto Velho durante jantar em comemoração ao aniversário do autor. Ele pretende realizar noites de autógrafos em outras cidades rondonienses e distribuir o livro em bibliotecas públicas. A obra traz 62 poemas.
O poeta e publicitário porto-velhense Rudney Prado Melo classificou o novo trabalho de Júlio Olivar como "um livrinho porreta, com crônicas poéticas, fazendas encantadas nas memórias de um menino que cresceu ao lado de estradas boiadeiras e à sombra de jabuticabeiras".
A crítica literária Jussara Neves Rezende, especialista em literatura brasileira (PUC/Minas), também comenta: "Certos jogos de palavra chamam atenção na obra de Olivar. Ternura e eterno se fundem no lúdico (e)terno. Enquanto d.C de depois de ´depois de Cristo´ - sem deixar essa referência - grafa a palavra d.C(oca-Cola). Brincadeira séria esta que, consciente da escravidão que as multinacionais submetem o terceiro mundo, se oferece sutilmente à denúncia desta realidade".
Segundo Júlio Olivar, as escritas vêm desde a adolescência. "Eu não pensava em publicá-las e, agora, resolvi lançar o livrinho. Eu diria
que são memórias descritas num tom poético, despretensiosamente”, comenta.
Com outros dois livros publicados - biografias - e membro da Academia Vilhenense de Letras, Júlio Olivar foi secretário de Estado da Educação e candidato a vice-governador de Rondônia. Atualmente, é superintendente estadual de Turismo.
Seus poemas trazem muito de sua personalidade irrequieta: falam de política, de sociologia e endurece o discurso em alguns momentos acerca das convenções sociais. Mas também remete à sua infância bucólica nas montanhas de Minas Gerais.