O vice-prefeito e secretário municipal de Indústria e Comércio, Jacier Dias (PSC), discursou na semana passada durante ato político com a presença do governador Ivo Cassol (PP), sobre sua “falta de espaço” junto à administração municipal, sem esclarecer em que consistiria este suposto cerceamento. O site www.folhadosulonline.com.br procurou-o para ele comentar o que significaria esta ponderação. Veja a entrevista:
- FOLHA: Vice-prefeito, como o senhor afirmou que não tido o espaço de que gostaria na administração municipal. Como gostaria de participar?
- JACIER: Eu queria ser ao menos ouvido. O vice tem o papel constitucional de substituir o prefeito em seus impedimentos e ausências ou quando solicitado. Precisa ser discreto e conhecer o seu lugar. Eu sempre me coloquei à disposição, sou parceiro do Zé Rover (PP), mas não consigo espaço. Não participo da maioria das discussões porque depende de um sinal, de um espaço, para poder me expor. Nas articulações políticas, por exemplo, na última crise com vereadores, eu não soube de nada, apenas a repercussão das coisas, sem conhecer os bastidores.
- FOLHA: Por quê?
- JACIER: Acho que nos vêem como uma ameaça política, algo assim. Qualquer um que se destaque parece que não é bem visto por alguns.
- FOLHA: O senhor está decepcionado com o prefeito?
- JACIER: Jamais eu vou denegrir a imagem do Zé Rover. Sou parceiro dele. Em campanha, a gente ia junto para o palanque pregar mudanças. Eu não sentia que era uma utopia, pensava ser possível aquilo que a gente propunha. Eu continuo acreditando, só que agora acredito muito menos. Eu ainda tenho um pouquinho de esperança naquela mudança que sonhamos, mas não é mais a mesma coisa.
- FOLHA: Existem irregularidades na atual administração?
- JACIER: Eu não participo de nada errado, nada que seja ilícito tem a minha mão. Não quero terminar este mandato com a alma amargurada, dizendo que não valeu a pena para a população a gente ter vencido as eleições. Então, acredito que estamos fazendo o melhor que podemos. Mas precisamos do apoio e da participação da comunidade para melhorar.