Na manhã deste sábado (22) o www.folhadosulonline.com.br obteve uma entrevista exclusiva com o advogado do empresário que denunciou o secretário municipal de Terras, Bruno Pietrobon, e do assessor da pasta, Ademir Alves.

Os dois foram presos pela Polícia Federal sob a acusação de terem tentado receber R$ 50 mil de propina para articular junto à Câmara de Vereadores a ampliação do perímetro urbano do município, incorporando uma área escriturada em nome do empresário.

A reportagem soube de cada passo dado pelo denunciante até a prisão dos dois membros do staff do prefeito Zé Rover (PP). Confira:

 

- SEGUNDA-FEIRA, 17

 

- O jovem empresário foi à prefeitura para conversar com Bruno. Expôs ao secretário o seu objetivo: incorporar seu terreno [medida e localidade não revelados à reportagem] ao perímetro urbano, tendo a finalidade de instalar uma indústria no local. Bruno e Ademir disseram que para atendê-lo precisariam receber R$ 50 mil e impuseram as condições de pagamento da propina: R$ 20 mil deveriam ser dados a eles na sexta-feira, 21. O restante, R$ 30 mil, seria pago posteriormente, de acordo com o avanço das negociações junto à Câmara. Os dois servidores alegaram que parte do dinheiro seria para “comprar” vereadores. Projetos de expansão de perímetros urbanos precisam ser aprovados pelo Legislativo.

- No afã de viabilizar o intento de transformar a área rural em urbana, o empresário teria chegado a pensar em levantar o dinheiro, através de financiamento e, assim, se calar diante da irregularidade [pagar a propina]. Mas, orientado por dois amigos, preferiu denunciar o caso à Polícia Federal.

- O denunciante foi orientado pelo delegado a gravar imagens e áudios dos pedidos de propina feitos por Bruno e Ademir. O equipamento para gravação, usado preso à roupa do empresário, foi fornecido pela própria Polícia Federal.  

 

 

- TERÇA-FEIRA, 18

 

- O empresário gravou a primeira conversa com Bruno e Ademir. Foi o segundo começou a falar da propina. Ex-secretário de Terras, na gestão do ex-prefeito Marlon Donadon, e atual assessor da pasta, Ademir foi claro: era preciso de dinheiro vivo para atender ao pedido do empresário. Bruno concordou com a proposição do subordinado e ainda citou nomes [ainda são mantidos em sigilo para não atrapalhar as investigações] de outras autoridades que saberiam do esquema.

 

- QUARTA-FEIRA, 19

 

- Na quarta-feira, o empresário voltou à Secretaria de Terras. Mais uma gravação. O denunciante conversava com Bruno e, em certo ponto, Ademir entra na sala e o interpela com a expressão: “E aí, vai rolar?”. Referia-se ao dinheiro da propina. 

 

- QUINTA-FEIRA, 20

 

- De acordo com o advogado, foi neste dia a terceira e última gravação feita entre seu cliente e o secretário de Terras. Mais uma vez, Bruno reiterou o pedido de propina.

 

- SEXTA-FEIRA, 21

 

- Neste dia, Bruno e Ademir estavam aguardando receber os R$ 20 mil. Pela manhã, a Polícia Federal analisou as gravações e o delegado instruiu a operação para prender Bruno e Ademir. Foi quase no final do primeiro expediente que os agentes estiveram na Secretaria de Terras, entraram na sala e ordenaram que os dois os acompanhassem. Alguns servidores que estavam na anti-sala da Secretaria não perceberam que se tratasse de uma detenção. Eles imaginaram que Bruno e Ademir estavam indo acompanhar os policiais para vistoriar uma obra da nova delegacia da PF.   

Foram levados para exame de corpo de delito e, em seguida, presos na Casa de Detenção. Apenas Bruno, por ser bacharel em Direito, está em cela especial.