O pequeno município de Pimenteiras do Oeste está vivenciando uma problemática que poderá, em breve, ser discutida em relevo nacional. Por ser uma cidade de fronteira e ribeirinha, as autoridades políticas e policiais não sabem, ainda, o que fazer com uma questão que pode resultar num incidente diplomático.
Pimenteiras fica numa área em que o Brasil faz fronteira com a Bolívia, sendo uma parte do país que demanda problemáticas federais. Além disso, a fronteira com a país boliviano é por água, tendo o rio Guaporé como divisa natural.
Do lado de cá, o pequeno município brasileiro tem uma saúde pública que pode não ser tão boa para os brasileiros, mas é avançada para os padrões do interior boliviano. Por isso, uma grande soma de bolivianos ribeirinhos está atravessando o rio para se tratar do lado de cá, alguns com ferimentos graves.
Pimenteiras tem uma pequena Unidade de Saúde, custeada pelo próprio município. O hospital de pequeno porte João Cancio Fernandes Leite, mostrado nesta foto tirada exclusivamente pelo FOLHA DO SUL ON LINE, trata de brasileiros que têm problemas de saúde de pequena complexidade. Os casos mais graves são enviados a Cerejeiras, Vilhena ou Porto Velho, por meio de três ambulâncias novas que o município possui. No tempo dos eventos turísticos, o pequeno hospital tem um atendimento voltado para as emergências e funciona de forma bem aprimorada, guardadas as proporções de se tratar da saúde pública de um pequeno município.
Acontece que muitos bolivianos querem (e, às vezes, conseguem) atravessar o rio para virem se tratar neste pequeno hospital em Pimenteiras. Uma vez que os ribeirinhos estrangeiros atravessam o rio, o poder público municipal pimenteirense (e brasileiro) precisa tratar desses pacientes, até por uma questão humanitária.
A problemática, entretanto, não acaba aí. O caso é que muitas bolivianas atravessam o rio para dar à luz no pequeno hospital pimenteirense. E, uma vez em Pimenteiras, as mães do país vizinho têm filhos que se tornam, de fato e por direito, brasileiros.
Essa questão tem levantado outro dilema maior, pois as crianças bolivianas que nascem no Brasil têm direito aos programas governamentais nacionais. Até o Bolsa Família já é citado como sendo direito desses boliviano-brasileiros.
O vereador Isaque Zigue, do PP, levantou essa questão na última sessão itinerante da Assembleia Legislativa, ocorrida no mês passado em Cerejeiras.
Em uma conversa reservada com o FOLHA DO SUL ON LINE após a fala aos deputados, o vereador pimenteirense repetiu o que ele já havia dito aos parlamentares. A Polícia Federal tem impedido muitos bolivianos de atravessarem a fronteira, porém vários ribeirinhos acabam escapando. “Mas quando esses bolivianos conseguem atravessar, a gente tem que atendê-los. O que vamos fazer, se a saúde é universal? Não temos escolha”, disse Zigue.
Quando o vereador pimenteirense expôs a questão em discurso, os deputados apenas ouviram a denúncia, emudecidos, tamanha a problemática, que poderá vir a ser um assunto de interesse nacional.