O número é assustador, apesar de não existirem estatísticas oficiais precisas. Mas, na manhã desta segunda-feira 21, a FOLHA DO SUL ON LINE levantou um dado impressionante acerca do consumo de crack na cidade. Segundo o Coordenador do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), Rafael Reis; o tenente Araújo, da Polícia Miliar; e o Delegado Regional de Polícia Civil, Fábio Campos, Vilhena não conta com menos de oito mil usuários de “pedra” atualmente. Há algumas divergências nas informações, mas neste aspecto, os três entrevistados concordam sem pestanejar.
O site está produzindo esta reportagem porque, na noite desta segunda-feiram 21, a Rede Record transmitirá aquela que é, talvez, a mais ampla e impactante reportagem sobre a “Pedra da Morte”, produção que levou três meses para ser concluída, envolvendo dezenas de jornalistas. A matéria é tema do programa “Repórter Record Investigação”, apresentado pelo Domingos Meirelles, que já trabalhou na Globo.
Segundo a emissora, a produção mostrará de forma verdadeira a vida dos dependentes da “Crackolândia” de São Paulo, além de apresentar relatos de quem quer sair dessa, e de quem já saiu. A comunidade e famílias vilhenenses que convivem com esta Epidemia, terão oportunidade de ao menos mensurar a degradação dos adictos.
A matéria em si já era interessante, e agora fica ainda mais depois do foi descoberto o que acontece na frente dos olhos dos vilhenenses: consumo e venda de drogas em todos os setores da cidade; apreensões e fechamento de “bocas-de-fumo” toda semana; furtos, roubos e os últimos seis homicídios ocorridos este ano, em poucos dias, provavelmente ligado a entorpecentes.
Além do aspecto criminal, o problema também atinge setores da saúde, como o CAPS, unidade para atendimento a esta situação. Segundo Rafael, são pelo menos vinte pessoas por dia que chegam até lá pedindo apoio. Falta estrutura para atender a todos, é óbvio. Primeiro a ser ouvido pela reportagem do FOLHA DO SUL ON LINE, a informação que forneceu corresponde a um soco no estômago: “Creio que os dependentes podem ser contados aos milhares, passando de cinco mil, numa avaliação modesta”. Ele declarou também que a maioria é composta por homens, apesar de haver índice expressivo de mulheres, na faixa etária entre 13 e 30 anos. Acrescentando, Reis disse que a “praga” está disseminada por todas as camadas da sociedade.
Os dados quase batem 100% com o que informou o Tenente PM Araújo. “Tendo como base as ocorrências envolvendo usuários, dá pra estimar que o número seja relevante, podendo chegar a oito mil doentes”.  No entanto, com relação a pontos de vendas de drogas ativos, o oficial calculou em cerca de trinta unidades, “mas trata-se de um processo itinerante”. Ou seja, as “bocas” mudam de endereço constantemente. Mais além, ele complementa que os boqueiros são também usuários, e que não há um grande traficante distribuindo drogas para atender esta demanda. “Vilhena é rota de passagem para o sul e sudeste, e a droga vem da Bolívia através de Pimenteiras e Rolim de Moura. Parte dela fica por aqui”.
A relação da droga com a criminalidade em geral é profunda. “O crack está diretamente relacionado com 60 a 70 por cento dos furtos, e 90% dos homicídios”, assegura o militar. Quando a Polícia Militar prende um usuário em flagrante, ele é levado a Delegacia de Polícia Civil, assina um Termo Circunstanciado, e é liberado em seguida, mas fica com audiência marcada em Juízo. “Uso não é crime, então as sansões são frequência a grupos de apoio, e serviço comunitário”. Ainda na avaliação do militar, as bocas estão disseminadas pela cidade, mas o consumo é mais alto entre as camadas mais inferiores da sociedade. Quanto a faixa etária, sua interpretação bate com a de Rafael: há usuários adolescentes até pessoas beirando os trinta anos.
Fechando a série, o site ouviu do responsável pela Polícia Civilna região, Delegado Fábio Campos,que os dependentes somam milhares nas cidade. “Oito mil pessoas não é uma estimativa irreal”, analisa. Os dados referentes a relação entre o crack e outros crimes é mais detalhada. “Os últimos seis homicídios que aconteceram estão diretamente ligados a acerto de contas entre traficantes e usuários, e 90%dos furtos são praticados por eles”. Ainda há uma relação direta entre tráfico, assalto a comércios, homicídios e comércio de armas. “Não há compra, mas aluguel, o que não deixa de ser um tipo de comércio”, pondera.
Campos também não acredita que em Vilhena haja um “Pablo Escobar” fornecendo droga para tanta gente. “O comércio é pulverizado, e as apreensões maiores não passam de um ou dois quilos. O restante que é tirado de circulação vem sob a forma de parangas”. A maior divergência entre as informações é no que diz respeito ao número de pontos de vendas do entorpecente: Fábio multiplicou por cinco: “há pelo menos 150 bocas ativas na cidade, funcionando de forma itinerante”, garantiu. E, agora concordando com o Tenente PM, o delegado informa que as bocas são mantidas por usuários e viram “fumódromos”. “A vizinhança sofre as consequências, pois onde há bocas os furtos aumentam”, relaciona. Outra concordância é com a faixa etária dos usuários, “entre catorze e vinte e cinco anos, na maioria, em todas as camadas da sociedade”. Encerrando, Fábio entende que há participação no comércio das drogas via presídio, mas não detalhou de que forma isso ocorre.
Ou seja, o que se verá está noite no Repórter Record Investigação não é nada diferente do que acontece em Vilhena, de uma forma tão avassaladora que paralisa o Poder Público. Tanto que para os três entrevistados, o problema não atinge apenas o viciado, mas ameaça de forma contundente a sociedade como um todo.

Abaixo, link com vídeo da chamada do programa:

http://noticias.r7.com/reporter-record-investigacao/reporter-record-investigacao-da-voz-aos-viciados-em-crack-21072014