A justiça do Acre decidiu nesta terça-feira, 9, que o bloqueio das atividades da TelexFree, empresa de marketing multinível que é suspeita de funcionar como uma pirâmide financeira, deve ser mantido. A defesa da empresa chegou a apelar da decisão, mas o bloqueio continua enquanto o processo judicial está em andamento.
O Estado do Acre foi a região em que a TelexFree mais cresceu e isso deve ter motivado a justiça do Estado vizinho a tomar a decisão. Com o bloqueio, a empresa não pode remunerar os investidores que já investiram e nem cadastrar novos.
Na semana passada, este site noticiou o descontentamento de alguns investidores do Cone Sul com o bloqueio da empresa. Uma leitora do FOLHA DO SUL ON LINE chegou a fotografar um escritório da empresa fechado na capital (FOTO) e enviar a imagem para um repórter do site.
Enquanto isso, os divulgadores (os que trabalham para divulgar) e os investidores (os que apenas investiram sem se envolver muito) estão na expectativa de uma decisão judicial favorável.
Assim como em outras regiões do país, o Cone Sul de Rondônia se viu tomado pela TelexFree. Alguns investidores chegaram a vender casas e a tomar empréstimos em bancos para comprar cotas da empresa.
Um homem em Cerejeiras, de aproximadamente 60 anos de idade, que já foi sitiante e hoje possui imóveis urbanos, também tem dinheiro investido na TelexFree. O cerejeirense, que não será identificado aqui, comprou cotas na empresa no valor total de R$ 40 mil.
Assim que conseguiu tirar o valor do dinheiro que investiu, o morador de Cerejeiras teve sua cota bloqueada pela justiça. Ele afirma que ainda tem U$ 18 mil (dólares) na TelexFree e diz que tem esperança de que a justiça libere as atividades da empresa.
O investidor cerejeirense afirma que teve gente que investiu muito mais que ele. “Conheço pessoas que venderam casa e pegou dinheiro emprestado no banco e não conseguiu recuperar um centavo ainda”, diz.
Há informações também de que dois investidores de peso em Rondônia alocaram grandes quantias na empresa. “Eu sei que tem um homem em Cacoal que investiu R$ 500 mil e outro em Porto Velho que colocou R$ 1 milhão”, diz o investidor cerejeirense.
Sobre a possibilidade de investir em outras empresas semelhantes, como a BBom, MultiClick e Priples, o morador de Cerejeiras é categórico. “Não, eu não desisto da TelexFree nunca. Eu vou continuar acreditando só nela. Se der errado, só dará nela”, diz.
O cerejeirense afirma que tem esperança de que desbloqueio das atividades da empresa seja determinado pela justiça. “O governador do Acre [Tião Viana, do PT] tá trabalhando em nosso favor. Você tem ideia de quanto o Acre arrecadou de impostos com a TelexFree?”, questiona o investidor.