Júlio Olivar encontrou cópia de texto seu na Biblioteca do Senado
 
Em seu perfil no Facebook, o jornalista Júlio Olivar, ex-secretário de Educação de Rondônia, revelou um crime do qual foi vítima, ao folhear um livro na Biblioteca do Senado, em Brasília.
 
O comunicador mineiro, radicado em Vilhena há quase 25 anos, denunciou o plágio do qual foi vítima, quando encontrou na obra um texto seu, relatando a vida do personagem que dá nome à principal avenida da maior cidade do Cone Sul: o major Emmanuel Silvestre do Amarante, genro do lendário Marechal Rondon.
 
LEIA ABAIXO o desabafo do escritor e conheça a saga do personagem, cuja história foi minuciosamente pesquisada por Olivar, e que será protagonista de seu próximo livro.
 
 
FUI ROUBADO
Passando pela Biblioteca do Senado deparo-me com um belíssimo livro de capa dura contendo a saga de Rondon e resumos biográficos dos seus principais companheiros.
 
Lá pelo final do livro encontro um ensaio sobre Major Amarante, o genro e discípulo de Rondon morto em Porto Velho.
 
O que me deixou espantado foi que copiaram o texto meu -- sem por e nem tirar sequer uma vírgula. Plágio total. E sem citar-me como autor e fonte da pesquisa.
 
Um trabalho tão esmerado graficamente, editado pela Fundação Ivete Vargas, assinado por três bons autores... com tudo isto, ainda assim o livro me furtou uma pesquisa que levou tempo e todo o zelo pessoal.
 
Os dados que eles pegaram são fundamentos para o meu próximo livro, "Um príncipe entre nós", que relata justamente a história de Amarante. O feio é que, agora, posso parecer plagiador do meu próprio texto, que me foi roubado e publicado sem minha autorização e está se espalhando pela internet. Ganharam dinheiro às minhas custas.
 
Veja aqui a capa do livro, nome da editora e dos autores, com os quais entrei em contato dando conta do crime, sem obter resposta.
 
 
O TEXTO DE MINHA AUTORIA PUBLICADO NO LIVRO E ASSINADO COMO SE FOSSE DE OUTRAS PESSOAS:
 
EMMANUEL SILVESTRE DO AMARANTE
Era carioca e completou seus estudos na Escola de Artilharia e Engenharia do Rio de Janeiro, em 1906. Casou-se com Aracy, uma das filhas de Cândido Mariano da Silva Rondon.
 
Foi promovido a Major em 1923 e, em 1929, era o chefe da 4ª Zona Telegráfica, sediada no extinto município de Santo Antônio do Rio Madeira, então pertencente ao Matto-Grosso, situado a 7 km do centro de Porto Velho, parte do atual estado do Amazonas.
 
O Major Amarante morreu vítima de infecção tífica(Tifo), aos 8 de agosto de 1929, quando fazia apenas quatro meses que se encontrava como chefe do distrito telegráfico. Faleceu na cidade de Porto Velho, aos 49 anos, em 1929, sendo enterrado no cemitério dos Inocentes, em um túmulo que foi vitimado por uma lenda.
 
Em Porto Velho-Amazonas, na época, o cemitério era protegido por uma cerca de arame farpado e os moradores da ‘Vila Mucambo’ costumavam cruzar o campo quando se dirigiam ao centro de Porto Velho. Eis que senão quando um morador chegou na vila apavorado, estava lívido, olhos esbugalhados, garganta seca e o medo estampado no rosto. E gritou que ao passar perto do túmulo do Major Amarante ouviu uma espécie de rugido e o som de algo se quebrando’. "Parecia que o defunto estava se levantando da sepultura". Foi o bastante para o medo e o mistério servirem de combustível para o surgimento de uma amedrontadora lenda de cemitério. De repente, a cidade inteira ficou apavorada com o homem que virou bicho. Seria um dragão acorrentado? Uma grande cobra acorrentada pelo rabo? Ou, pior ainda: seria o próprio defunto preso em correntes? Seja como for, se conseguisse se soltar imaginava-se, o bicho iria destruir a cidade e matar seus moradores. Uma desgraça. O medo. O imponderável. A superstição tomava conta do imaginário popular. Não se tinha sossego. O Major Amarante, poderoso oficial do Exército, ex-legionário da Comissão Rondon, genro predileto de Rondon, virou um bicho de sete cabeças depois de morto. E para comprovar a coisa toda, o túmulo realmente apresentava rachaduras. A prefeitura encarregava-se de consertar, mas não tinha jeito, rachava de novo. Consertava e rachava. A cada serviço, nova rachadura. O medo do defunto acorrentado aumentava ainda mais. Até que um dia... O mistério foi descoberto.
 
Alguém, possivelmente um funcionário da prefeitura, percebeu que uma árvore frondosa, uma figueira, plantada a uns cinco metros do túmulo do Major Amarante, espalhava suas poderosas raízes que passavam por baixo da sepultura e rachava suas paredes, o que causava o barulho ouvido por aquele morador da Vila Mucambo. Estava encerrado o mistério depois de longos e tenebrosos invernos de frio, chuva, noites escuras e grandes superstições na pequena, bucólica e inquieta Porto Velho.
 
Em 1930, Cândido Mariano da Silva Rondon esteve no Cemitério dos Inocentes para visitar o túmulo de seu genro e fiel colaborador, Major Emanuel Silvestre do Amarante.
 
Ao discursar sobre o túmulo, Rondon se emocionou e chorou, referindo-se a Amarante como seu braço direito nos trabalhos das Linhas Telegráficas. Além disso, Amarante foi pai do primeiro neto de Rondon, nascido em 1915.
 
Rondon teve a informação, por telégrafo, do nascimento do menino Emanoel; ele recebeu a mensagem no posto de Vilhena, cuja construção existe ainda hoje e é conhecida como Casa de Rondon.