O principal entrave na relação entre o prefeito de Cerejeiras, Airton Gomes (PP), e um grupo de vereadores, refere-se à compra de um terreno de grande extensão para a construção de um parque ecológico na área urbana da cidade. Os parlamentares de oposição querem um imóvel. Já o prefeito quer outro.
Para os leitores, principalmente os que moram no município, possam ter uma ideia do que se passa, o FOLHA DO SUL ON LINE visitou os dois terrenos. A reportagem também conversou com cidadãos e servidores envolvidos no processo de compra da área. Com esta reportagem, o cidadão cerejeirense pode ter mais informações para exigir dos políticos uma posição sobre o assunto, já que o caso divide vereadores e prefeito.
O terreno que parte dos vereadores quer fica próximo ao cemitério, na parte de trás do Centro de Tradições Gaúchas (CTG) e tem 46 mil metros quadrados. O lugar é bonito e bem arejado, mas é de difícil acesso. Para chegar lá, é preciso ir pela lateral do cemitério, pois pela frente, perto do CTG, é ainda mais difícil o acesso. Além disso, é longe da área central da cidade (veja as duas primeiras fotos).
O local preferido pelo prefeito fica na saída para Corumbiara, próximo à placa verde que anuncia “boas-vindas” ao município. Esse terreno é maior, com 73 mil metros quadrados, tem mais árvores e coqueiros, além de contar com um rio que o atravessa. O local é propício para se frequentar, pois a via de acesso é asfaltada (veja as duas últimas fotos).
Alguns cidadãos ouvidos pelo site comentaram que o local escolhido por Airton Gomes é melhor. “Um parque pode se tornar um local de consumo de drogas e prostituições se for muito afastado. Acho que aqui é melhor, fica mais exposto e as famílias se sentem mais seguras para virem”, disse um morador das redondezas ao local.
Um empresário, que passou perto do terreno escolhido pelo prefeito, também é favorável que o local do parque seja ali. “Aqui é uma das entradas da cidade. Se é para construir um parque bonito, então tem que ser na chegada, para causar boa impressão”, argumentou.
Apesar das diferenças entre os terrenos, tanto no tamanho quanto na localização, os respectivos donos pedem o mesmo preço: R$ 200 mil, tanto um quanto o outro. Há informações de que o dono do terreno apontado pela oposição, que pertence a um ex-vereador, baixou o preço para R$ 175 mil.
A verba destinada à construção do parque, fruto de uma emenda parlamentar ainda do tempo do então deputado federal Natan Donadon (ex-PMDB) é de R$ 1,6 milhão. Mas esse recurso pode voltar agora em maio, caso os vereadores e o prefeito não consigam chegar a um acordo.