Avenida Rondônia começou a ser pavimentada; antes, porém, foi alvo até da PF

Considerada a obra mais encrencada durante pelo menos quatro gestões municipais em Vilhena, a pavimentação da avenida Rondônia começou a ser feita recentemente. Por causa dos muitos problemas que emperraram o empreendimento ao longo de mais de 20 anos, algumas pessoas enxergavam até macumba no projeto. “Tem uma cabeça de burro enterrada ali”, argumentou muita gente, diante da demora na execução do trabalho.

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Logo que assumiu seu mandato, em 2005, o jovem prefeito de Vilhena, Marlon Donadon começou a discutir sobre a pavimentação da avenida Rondônia. Eleito montado no prestígio do primo, Melki Donadon, o mandatário galã acabou perdendo o apoio dele, que foi afastado da gestão municipal, denunciado pelo MP, sob acusação de usurpação de poder. Na época, segundo o promotor que o denunciou, Melki exercia a função de secretário de Coordenação Geral, mas agia como uma espécie de “primeiro ministro” na administração do primo. E foi aí que a obra anunciada empacou antes de começar.

Ao assumir o cargo, em 2009, sucedendo Marlon, o também jovem empresário Zé Rover prometeu tirar o empreendimento do papel. E até deu início aos trabalhos, mas a empresa que venceu a licitação, a Projetus Engenharia, foi flagrada em malfeitos pela Polícia Federal. Resultado: a pavimentação emperrou de vez.

De volta ao poder, após 10 anos de derrotas, a família Donadon, representada pela prefeita Rosani Donadon, eleita em 2016, anunciou a retomada do projeto. Em cerimônia na própria avenida, onde dezenas de comerciantes convivem com poeira e lama há duas décadas, Rosani prometeu: “Agora vai...”

A prefeita, de fato, se esforçou para dar fim à espera e até fez uma nova licitação para concluir a obra, mas a empresa que venceu o certame pediu um aditivo antes mesmo de colocar as máquinas na via pública.

E, quando a mandatária iria tentar destravar o investimento, veio a surpresa: ela teve o mandato cassado e desocupou a cadeira. O sucessor-tampão, vereador Adilson de Oliveira (PSDB), deu outra canetada e cancelou o contrato com empreiteira, fazendo com que o enrosco voltasse à estaca zero.

No cargo, após vencer Rosani no tira-teima da eleição suplementar, o atual prefeito, Eduardo Japonês (PV), botou pressão para acabar com a “maldição” da avenida Rondônia, e até anda tentando faturar politicamente com a herança deixada pelos antecessores.

NA JUSTIÇA
Antes de realizar a terceira licitação para contratar o mesmo serviço, Japonês até cogitou manter a Projetus na obra, mas a justiça barrou e mandou abrir novo certame.

O contrato, que na gestão Rosani custaria pouco mais de R$ 1,9 milhão (sem o aditivo pedido pela empreiteira) saltou para R$ 4,7 milhões, sob esperneio da oposição, que acusa superfaturamento.

A equipe técnica do prefeito justifica a disparada do valor alegando atualização de preços e lembrando que a pavimentação agora inclui sinalização e calçadas.

ASFALTO FRIO
Outra crítica feita ao novo contrato diz respeito à qualidade do asfalto, que pode deteriorar em pouco tempo, por causa do intenso tráfego de veículos pesados na avenida Rondônia.

O engenheiro Adones Hoffmann, da Construvil, empresa responsável pela obra, admite que, de fato, o asfalto frio tem qualidade inferior ao quente, mas alega: o que está sendo aplicado é usinado, bem melhor que o que cobre a maioria das ruas de Vilhena. Além disso, ele promete colocar “usinado quente” nos trechos onde haveria maior desgaste.