O FOLHA DO SUL ON LINE entrevistou, na tarde desta terça-feira, 03, o empresário Jaime Bagattoli, pioneiro em Vilhena e há três décadas atuando no segmento de combustíveis, como transportador e dono de postos. Na longa conversa com o site, Bagattoli fez críticas ácidas ao governo federal, mas foi ainda mais duro com o governador Confúcio Moura (PMDB), a quem, inclusive, mandou um recado nada amigável.

Sobre os reajustes do diesel e da gasolina, o empresário explicou: não houve aumento nenhum do produto e, portanto, a Petrobrás não está sendo beneficiada em nada. Segundo esclareceu, o governo federal simplesmente puxou para cima (“para tapar rombos”) os percentuais de dois tributos (PIS e Cofins) e ressuscitou outro (a CIDE).

Jaime também fez questão de lembrar que a estatal brasileira vende gasolina para o Paraguai por R$ 1,30, enquanto no país, a mesma mercadoria chega a R$ 3,65 nos postos. Nos Estados Unidos, diz, o litro de gasolina é adquirido na bomba por R$ 1,35. “No mundo todo, com a queda do preço internacional, o combustível baixou. Menos aqui, onde a carga tributária sobre o diesel é de 43% e sobre a gasolina é de 57%”, desabafou.

O vilhenense disse ter se reunido, na semana passada, com o secretário de Fazenda de Rondônia, para pedir que o Estado deixasse de adotar a nova pauta do ICMS sobre os combustíveis. Ele explicou que o Mato Grosso não tributa as empresas pela nova base de cálculo e que esperava a mesma medida da administração de Confúcio.

Acontece que, no dia 1º de março, sem dar a menor satisfação e sem aviso aos que participaram da reunião, o novo ICMS passou a vigorar, acrescentando mais de 6 centavos na gasolina e outros 4 centavos no diesel. “Agora, ou a gente engole mais esse aumento ou repassa aos consumidores”, irritou-se, lembrando que a medida penaliza principalmente os caminhoneiros, que vêm lutando pelo reajuste do frete. Caso o novo reajuste seja repassado, a gasolina, que já havia subido 10% na bomba, e o diesel, com reajuste de 7%, só este ano, terão peso considerável nos índices de inflação.

Bagattoli garante que o Estado poderia muito bem deixar de praticar a nova tabela de ICMS, levando em conta o momento atual da economia. “Rondônia está tributando o imposto que o governo federal aumentou”, esbravejou, enviando de seu próprio celular o recado azedo endereçado a Confúcio e que está reproduzido abaixo na íntegra:

“Bom dia governador. Nós tivemos ai em Porto Velho transportadores e agricultores reunidos com secretario da fazenda a finalidade para que não aumentassem a pauta do diesel e da gasolina. Ele nos garantiu que iam conversar com o Sr. Mas partir de 01 de março já está c novos preços. O mato groso não mexeu em nada infelizmente nosso estado não respeita os empresários. Caso não for revogada a pauta, estamos devidos à ir para impressa e publicar que nosso estado diverge dos outros quanto a legislação do icms. Esta semana faremos um documentário sobre os 20 do plano real e a evolução de reajuste de impostos dos combustíveis, inclusive mostrando que os funcionários públicos efetivos do estado não tiveram seus salários reajustados nem 50% da arrecadação, portanto os contribuintes industria e comércio e principalmente a população em geral não suporta mais essa arbitrariedade sobre a tributação”.