“Essenciais são todas as atividades legalmente estabelecidas das quais tiramos o nosso sustento”
 
O FOLHA DO SUL ON LINE entrevistou, na manhã desta terça-feira, 02, o empresário Jeronimo Alves dos Santos Neto, que tem sido duro nas críticas contra algumas medidas restritivas impostas pelo Estado e a prefeitura de Vilhena, e que atingem em cheio o segmento em que ele atua, que é o de bares e restaurantes.
 
Embora só tenha inaugurado seu bar temático em novembro do ano passado, quando a pandemia parecia estar arrefecendo, Neto teve outro de seus negócios, na área de eventos, severamente castigado pela proibição de festas, feiras e palestras presenciais.
 
Uma das principais críticas do empreendedor, de família pioneira em Vilhena, é o que ele chama de “inoperância” do poder público para fiscalizar medidas que ele mesmo estabelece.
 
Neto reconhece a gravidade do momento, mas acredita que algumas restrições não estão ajudando a frear a disseminação no novo Coronavírus. “Já há estudo mostrando que as contaminações são mínimas no ambiente de trabalho. Tem muita gente sendo infectada em casa”, argumenta.
 
O comerciante também considera injusto penalizar bares e restaurantes, e usa um argumento bastante convincente: “a gente atende adotando todos os cuidados, enquanto festas clandestinas estão lotadas, sem ninguém fiscalizar. Estamos pagando o pato”, resume.
 
Uma mudança no decreto municipal que estabelece regras do distanciamento em Vilhena, feita hoje, deixou o comerciante ainda mais preocupado: estabelecimentos como o dele, que só podiam atender clientes usando metade da capacidade, agora só podem utilizar 30% da área.
 
Autor de uma sugestão feita ao comitê de enfrentamento à Covid-19 na maior cidade do Cone Sul, Neto usa outros exemplos de falta de lógica: “não permitem música ao vivo porque, em tese, isso iria provocar aglomeração. Mas que sentido faz me proibir de ter artista se apresentando se a prefeitura já define a quantidade de pessoas que o meu restaurante pode atender? Outra incongruência é reduzir o horário de atendimento para as 22h. O que favorece mais um eventual contágio? Um fluxo de cem pessoas em três horas de funcionamento do estabelecimento ou esse mesmo fluxo diluído num período maior, de seis horas?”, questiona.
 
Quanto ao drama que os empresários do setor estão vivendo, Neto brande uma estatística nacional, que deve ser replicada em Vilhena: 35% dos estabelecimentos fechados por causa de medidas restritivas não conseguirão mais reabrir suas portas. E a situação atinge também pequenos botecos da periferia de Vilhena, que muitas vezes são a principal fonte de renda das famílias.
 
“Não acho justo sacrificar uma atividade e liberar outras”, diz, lembrando que bancos e outros setores, considerados “essenciais”, seguem abertos, gerando visíveis aglomerações, que propagam o vírus com muito mais facilidade que ambientes controlados. “Essenciais são todas as atividades legalmente estabelecidas das quais tiramos o nosso sustento”, resume.