“Os maiores compradores são os homens, e as esposas vêm depois"

Há sete anos com loja física no ramo, mas antes disso autônoma, a empresária Andressa Rossatti, da Tok Íntimo, enfrenta tabus e preconceitos sobre sexualidade ao vender seus produtos e falar sobre o tema de maneira aberta e natural: “O Sex Shop não é algo errado, é algo que veio para ajudar os relacionamentos, a sair da rotina”, conta ela, que realiza vendas por atacado, consignado e varejo. 

Andressa conta que a ideia surgiu de uma conversa com o marido, quando ele sugeriu que ela comprasse os “brinquedos” eróticos para revenda. A empreendedora aceitou a ideia, fez o pedido e vendeu tudo muito rápido. Hoje, os catálogos da loja e do site contam com mais de 500 produtos, entre higiene íntima, cosméticos, lubrificantes, chicotes, próteses, algemas e outros artigos para prática de BSDM, que ficam em um canto reservado do estabelecimento, que também vende lingerie e semi joias. “Também temos um site para quem tem vergonha. A pessoa pode receber em casa ou retirar o produto, em pacote fechado, aqui na loja. A entrega também é feita com toda discrição, assim como as visitas domiciliares, que sou eu quem realiza”.

Andressa conta que ainda existem muitos tabus na área, mas que o segmento tende a crescer e a se manter ativo mesmo em épocas de crise financeira. “A economia anda meio parada, mas continuamos vendendo. Os maiores compradores são os homens, e as esposas vêm depois. A clientela maior são os casais hétero, embora tenhamos muitos clientes gays também”. Segundo a empresária, 60% da clientela ainda prefere visitas e entregas e 40% visitam a loja física, que fica no centro da cidade. Nas visitas, ela procura entender o que os clientes querem para oferecer os melhores produtos. 

“As pessoas precisam parar de pensar em compras de itens eróticos como algo errado. Se é sadio, praticado de maneira espontânea, o uso dos produtos inclusive diminui o risco de traições nos casamentos”, revela Andressa, e conta que o maior público consumidor são os caminhoneiros: “Eles compram muito para agradar as esposas que os esperam em casa”. E, com o intuito de promover ainda mais a satisfação dos clientes, ela participa de feiras da área em grandes centros, trazendo as novidades para a cidade ao mesmo tempo em que chegam a todo o país.

Em outubro, Andressa estará na Sexy Fair, em São Paulo. Para aqueles que ainda temem fazer compras no segmento, ela tranquiliza e avisa que não há preconceito nem julgamento, apenas informação: “Podem vir, não há nada nesta área que já não tenhamos ouvido”.