Devidamente empossado como senador na vaga de Expedito Júnior (PSDB), cassado por compra de votos nas eleições de 2006, o empresário Acir Gurgacz (PDT) subiu à tribuna, agora a pouco, para o primeiro discurso em plenário. Agradeceu aos familiares e, em especial, à esposa Ana Maria, e saudou senadores como Alvaro Dias (PSDB-PR) e Cristovam Buarque (PDT-DF) – este, o único que foi à tribuna de forma mais enfática contra a permanência de Expedito no cargo. Agradeceu-lhes “o apoio e o carinho por este longo caminho, que se arrastou ao longo de dois anos e sete meses”.
“Assumo com alegria o dever de servir aos rondonienses, assim como tenho feito em toda a minha vida”, disse Acir, em pronunciamento de pouco mais de cinco minutos. “Não podemos, de forma alguma, deixar que a disputa política atrapalhe a tramitação de projetos importantes para a população.”
Ao final do pronunciamento de Acir, Sarney suspendeu a sessão para que o novo parlamentar recebesse os cumprimentos dos senadores presentes ao plenário.
COMPLICAÇÕES – De acordo com o site Congresso em Foco, o novo parlamentar rondoniense respondia, até o mês de junho do ano passado, a cerca de 200 processos criminais na Justiça comum. De acordo com levantamento feito pela página eletrônica que cobre as atividades parlamentares na Câmara e no Senado, somente no Tribunal de Justiça de Amazonas, um dos negócios de Gurgacz, a Empresa União Cascavel de Transportes e Turismo Ltda (Eucatur) – de transporte interestadual de passageiros – respondia a aproximadamente 200 processos em setembro do ano passado. As acusações – direcionadas a ele e aos pais, seus sócios na empresa – iam de estelionato, crime ambiental a pedidos de indenização por danos materiais e morais.
O Congresso em Foco mostrou que ainda, também em junho de 2008, o ex-funcionário da Assembleia Legislativa de Rondônia Rodrigo Batista Balcazar, 30 anos, em depoimento à PF em Brasília, disse ter arregimentado cabos eleitorais para denunciar o senador e o governador por compra de votos a pedido de ex-presidente da Casa, Carlão de Oliveira, e em favor de Acir Gurgacz.
Ontem (4), Acir apresentou à reportagem um nada consta expedido pela Justiça Federal de 1º grau (Seção Judiciária do Estado de Rondônia). O documento, disponível na página eletrônica do Tribunal Regional Federal (TRF-1ª Região) daquele estado, refere-se aos “registros de distribuição” de 25 de abril de 1967 até 14 de abril deste ano. Acir não apresentou nada consta referente à sua situação na Justiça dos outros estados mencionados acima.
“A minha situação atual na Justiça é tranquila, não tenho nenhum processo, em qualquer instância da Justiça. Essa informação alguém plantou, e parece que está pegando”, disse Acir ao Congresso em Foco.