Ex-traficante hoje é presbítero em cidade da região central de Rondônia
 
Parece absurdo, mas os maiores evangelizadores de Vilhena são as facções criminosas que agem na cidade e são suspeitas de envolvimento em algumas das mortes mais violentas já registradas na região.
 
O FOLHA DO SUL ON LINE conversou, nesta terça-feira, 10, com um pequeno comerciante, que tem contatos dos dois lados desta violenta guerra por poder e territórios, travada entre gente disposta a matar e morrer.
 
Segundo o entrevistado, a única forma de não ser executado pelos rivais é o “soldado” de algum dos grupos se converter e “aceitar Jesus” após deixar o submundo. Para as facções, quem abraça uma religião está disposto a não militar do lado inimigo e, portanto, fica imune às ordens de execução.
 
Mas, que ninguém tente “enrolar”, pois segundo o comerciante, após o ex-faccionado se converter, a rotina dele na igreja é acompanhada presencialmente pelos antigos parceiros. De gravata e Bíblia em punho, eles marcam presença nos templos para atestar que o novo convertido está mesmo “em comunhão”.
 
É o caso de um dos maiores traficantes do Cone Sul, que após anos de atuação nas hostes de uma das facções, resolveu se aposentar e optou por abraçar o pentecostalismo para não morrer. Hoje, ele é presbítero numa cidade da região central de Rondônia.
 
Três anos atrás, a revista Piauí publicou reportagem abordando essa prática, quando escreveu o seguinte: “Entre os criminosos, as igrejas protestantes são a única instituição respeitada. Ser membro de uma delas é o salvo-conduto para deixar de ser um soldado de facção e não morrer. Quem deserta ou vai para o grupo rival tem um fim trágico: é torturado até a morte, tendo a cabeça cortada” (CLIQUE AQUI e leia a publicação na íntegra, intitulada “Conversão na fé ou na marra”).