A paralisação dos transportadores de grãos em Vilhena já dura dez dias e, ao que parece, não tem prazo para terminar. A principal reivindicação da categoria é por melhoria no valor do frete, mas também há desabafos e revolta contra o reajuste do combustível e de outras despesas da atividade.
Na manhã de ontem, quinta-feira, 12, a reportagem do FOLHA DO SUL ON LINE conversou com o porta voz do movimento, o empresário Jorge Marreta, que detalhou o atual cenário do transporte de grãos na região, expôs o receio dos motoristas de sofrerem repressão e reclamou da falta de apoio da classe política.
Marreta explicou à reportagem que o custo por quilômetro rodado chega a R$ 4,80 e mesmo com o acréscimo de R$ 10,00 por tonelada oferecido pelas empresas, o valor por quilômetro não chegaria aos R$ 4,00, ou seja, não cobriria as despesas. Ainda de acordo com o exposto pelo empresário, para os caminhões rodarem sem prejuízo, o valor do frete por tonelada teria que chegar aos R$ 130,00 o que daria um total de R$ 4,90 por quilômetro. Mas, a proposta apresentada pelas empresas exportadoras de grãos aos transportadores prevê o aumento para R$ 113.00. “Nós estamos com essa paralisação porque não conseguimos mais trabalhar e temos vários gargalos com custos operacionais elevados que sobem todo dia. Em contra partida as “tradings” só jogam o valor dos fretes para baixo, e com esse valor não dá para trabalhar”, disse Marreta.
Marreta disse ainda que a oferta de melhoria de R$ 10,00 no valor do frete, além de não cobrir as despesas dos caminhões, não traz garantias por parte das empresas exportadoras de que será mantido ao longo do ano. “Nós precisamos ter nossos custos respaldados e com garantias de manter isso o ano inteiro”, disse.
Marreta reclamou da falta de apoio dos políticos, principalmente do município. “O prefeito menospreza a classe dos motoristas, ele tem que entender que sem o caminhão, sem o motorista, a cidade dele para, então é bom começar escutar um pouco, ouvir as lideranças do setor para ver o que ele pode fazer pela classe”, disse Marreta e continuou: “Votamos esperando que eles façam alguma coisa pela gente, mas não fazem nada, só fazem por eles próprios”, apontou.
Mesmo revoltado com os políticos locais, Marreta reconhece que o movimento tem recebido apoio do Secretário de Estado da Agricultura, Evandro Padovani, que tem buscado sensibilizar setores para buscar meios de resolver o impasse. “O secretário tem sido nosso parceiro, ele está se empenhando mandando ofícios para Brasília, para outros setores na tentativa de sensibilizar, mas isso não se reflete de imediato. Essas ações já deveriam ter sido tomadas antes, porque esse problema já vem de longa data, e falta de aviso não foi, mas só são tomadas as medidas quando se vai ao extremo”, declarou Marreta e continuou: “E isso é geral, veja como está Vilhena, assolada por uma onda de violência, a polícia prende e logo eles são soltos por causas das nossas leis covardes, que priorizam o bandido. Agora nós que estamos lutando pelo direito de trabalhar, estamos sendo aterrorizados por essa ameaça de que a Força Nacional seria enviada para acabar com o nosso movimento. Em que país estamos vivendo?”. Assim como o líder, outros participantes do movimento apontam sua revolta para o governo federal e já há, em alguns caminhões, faixas com frases contra a presidente Dilma Housseff (PT), apontada como responsável direta pelo aumento do diesel e das condições precárias das estradas.
Marreta reafirmou que o movimento é pacífico e garantiu que a BR-364 não será bloqueada. “Nós continuamos fora das estradas até que haja um acordo com as tradings; se essas grandes empresas só pensam nelas, ou se estão com dificuldades, eu não sei por que nós é que temos que pagar a conta. Não vamos pagar a conta de ninguém, não estamos agüentando pagar nem as nossas, como vamos quitar as dos outros?”, finalizou.