“Fomos heróis e hoje não somos nada, porque nem ouvidos somos”
Dezenas de servidores da Saúde de Vilhena estiveram, na manhã desta terça-feira, 08, na Câmara de Vereadores, em manifestação cobrando reajuste salarial para a “Classe D”, que inclui psicólogos e fisioterapeutas, entre outros profissionais. Os servidores levaram cartazes e faixas que cobraram do Poder Executivo o reajuste de 50% do salário-base atual. Eles também entoaram palavras de ordem cobrando valorização.
O protocolo foi quebrado e consentido que um representante da categoria fizesse uso da palavra. A enfermeira Claudia Lucrécia foi a escolhida. Ela lembrou que a saúde passou recentemente por uma fase tensa, que foram mais de dois anos de pandemia durante os quais os profissionais da área atuaram sobrecarregados e por vezes doentes, porque não havia quem os substituísse.
Cláudia Lucrécia argumentou que em 2013 os vencimentos da categoria equivaliam a quatro salários mínimos, e que hoje os R$ 2.625,00 que caem na conta dos servidores representam apenas 1,8 salário mínimo. Ela ainda questionou: “como funcionários da Santa Casa de Chavantes recebem mais R$ 4 mil, enquanto que a Prefeitura de Vilhena, que repassa a dinheiro para a Santa Casa, não consegue pagar o reajuste dos servidores?”, quis saber Claudia Lucrécia, que terminou assim a sua fala: “Fomos heróis e hoje não somos nada, porque nem ouvidos somos”.
Os servidores receberam o apoio dos vereadores que se comprometeram em buscar meios de solucionar o impasse. O presidente da Casa, vereador Samir Ali (PSDB), disse que se dependesse dele os servidores nem estariam ali, pois já teriam recebido o reajuste.
A vereadora Vivian Repessold (PP) criticou o que ela entende como uso da mídia pelo prefeito para manipular a população. “É humilhante ser colocado contra a sociedade, a manipulação da inversão de valores mais indigna, colocar em dúvida o trabalho de excelência que é feito dentro do serviço público. Acham que somos ricos, milionários, não é de hoje que servidor é desvalorizado”, disse a vereadora, antes de concluir: “O que diz respeito a salário tem que ser obrigatório, porque salário é dignidade para o servidor. Não dá para pedir pra conta de luz não chegar”, ponderou.
,
Autor:
Rogério Perucci
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 08 de Agosto de 2023, às 14:12