Visitas foram suspensas e contaminados ficaram em isolamento
 
 
Apesar de ter sido administrada apenas a primeira, a vacina contra a Covid-19 trouxe sensação de alívio aos funcionários e internos do lar dos idosos Maria Teresa Da Lamarta de Vihena.
 
Contando com 53 idosos, com idades entre 66 e 98 anos, o lar registrou um índice baixíssimo de contaminação pelo novo Coronavírus e apenas uma morte, que mesmo assim, deixou um vazio nos corações dos servidores do abrigo e de muitos vilhenenses, pois Francisco dos Santos, o famoso “Pipoca”, que tinha 65 anos, era muito querido no município, por ter vivido muitos anos nas ruas, antes de ser recolhido pela instituição filantrópica (LEMBRE AQUI).
 
Em entrevista ao FOLHA DO SUL ON LINE, Adenir Eva Correia Pereira, que está à frente da direção o Lar há 11 anos, afirmou que nem todos os idosos que testaram positivo para Covid-19 apresentaram sintomas da doença e apenas dois precisaram de internação, sendo um deles o próprio “Pipoca”, que foi o único que não retornou.
 
Segundo Adenir, mesmo assintomáticos, os cinco idosos que testaram positivo foram isolados por 15 dias e, apesar de ter sido muito difícil para todos,  a adoção do distanciamento social logo no início da pandemia, que culminou na proibição de visitas e das saídas dos internos nos finais de semana, que normalmente eles passavam com familiares, foi o fato chave por não ter havido mais mortes na unidade.
 
“Assim que soubemos dos primeiros casos em Vilhena, proibimos as vistas e foi muito difícil pra eles, pois muitos não entendiam a situação e se sentiam abandonados, já que o Lar sempre foi muito movimentado e eles gostam disso. Porém, foi essencial para a proteção de todos”, relatou a diretora.
 
Com relação à aceitação da doença e da vacina por parte dos idosos, Adenir afirmou que alguns ainda não acreditam que a doença de fato exista e que para haver uma vacinação total, foi dito a eles que eram apenas vitaminas, devido uns acreditarem inocentemente que a medicação não é para proteção, e sim uma arma usada pelo governos para exterminar pessoas de terceira idade.
 
“Como eles não querem ou não conseguem fazer uso de máscaras e não podem ter acesso direto ao álcool gel, devido alguns apresentarem problemas de alcoolismo, os funcionários fazem a higienização das mãos de todos e usamos estratégias para que aceitem a vacina, que apesar de ter sido ministrada apenas uma dose, todos os internos já apresentaram anticorpos contra o vírus, o que nos dá uma sensação de alivio muito grande”, afirmou Adenir.
 
Apesar de alguns idosos terem apresentado febre após a ministração da primeira dose da vacina e um dos casos de contaminação ter sido registrado após a vacinação, Adenir afirmou que nenhum apresentou complicações e a data para a próxima dose já está marcada. A diretora também explica que, mesmo não liberando as visitas, a imunização já traz ainda mais conforto a todos, pois além da idade, a grande maioria dos internos possui problemas de saúde sérios.
 
Enquanto isso, a diretoria e toda a equipe se reinventam para fazer do Lar um local alegre, mesmo não sendo possível o contato com os internos de quem não trabalhe na unidade, como ocorre todas as sexta-feiras, quando o pastor de uma igreja evangélica local realiza pequenos cultos e canta louvores do portão, para alegrar os idosos.